Temer propõe pacto no Senado para acabar com crise

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), vai propor um pacto para tentar acabar com a crise no Senado Federal. Temer está articulando uma reunião para segunda ou terça-feira da próxima semana entre os líderes dos partidos na Casa e os presidentes das legendas. Temer é o presidente nacional do PMDB. O objetivo, segundo ele, não é colocar a sujeira embaixo do tapete, mas "pacificar" o clima no Senado.

ANNE WARTH E FAUSTO MACEDO, Agencia Estado

07 de agosto de 2009 | 14h34

"Eu proponho uma conversa, um diálogo. Não se faz política com discussões da natureza que estão começando a ocorrer. Política se faz com diálogo, com entendimento, e entendimento entre os partidos políticos e entre os líderes do Senado", disse ele, após participar de uma palestra sobre o pacto republicano e sua importância ao Judiciário e à sociedade, na sede do Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF-3), na capital paulista. "Não se vai esconder nada e nem esquecer de nenhum episódio", completou. "Apenas se deve encaminhar tecnicamente essa questão. Não se pode colocar uma exacerbação política e nem mesmo ideológica em relação a esse tema."

Temer condenou o nível dos debates que tem marcado as sessões do Senado, como os bate-bocas entre Pedro Simon (PMDB-RS) e Fernando Collor (PTB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Ontem, em um dos dias mais acirrados desde o início da crise no Senado, Renan chamou Tasso de "coronel". Tasso devolveu e chamou Renan de "cangaceiro de terceira categoria". "O agravamento das discussões, a elevação do tom de voz nessas discussões e também o tom das palavras não colaboram com a instituição", afirmou Temer.

Temer disse não concordar com a assinatura de atos secretos no Senado que beneficiaram parentes e aliados do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia. "Não, não concordo. Não há razão para isso, mas eu vejo que lá estão sendo tomadas providências para que essas coisas não ocorram, e se ocorreram, que ganhem punição", declarou.

Ele disse também ser contra a censura imposta ao jornal O Estado de S. Paulo e ao portal Estadão, impedidos por decisão do desembargador Dácio Vieira (TJ-DF) de divulgar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, que teve como principal alvo o empresário Fernando Sarney, filho de José Sarney. Ele evitou entrar em polêmica com o presidente do Senado, disse que o pedido partiu do empresário e citou que, segundo Sarney, as gravações teriam sido fruto de montagem.

"A censura não é útil. Na verdade, não foi um ato do presidente Sarney, foi um ato de um advogado que patrocina a causa de um de seus filhos que entendeu que aquilo não poderia ser objeto de divulgação. Aí está em pauta um outro valor, o valor da intimidade", afirmou. "Eu não sei bem se é esse o caso, mas houve uma montagem. Pelo menos o presidente Sarney no discurso falou muito de uma montagem, de uma gravação. Agora, eu sou contra toda e qualquer espécie de censura."

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