Temer prevê fusões partidárias em 2002

O segundo turno das eleições dopróximo ano deve marcar o início de uma reforma política, quepode juntar o PSDB, PMDB e o PFL num único partido, além de uniro PT com outas legendas de esquerda. A previsão é do presidentenacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), queconsidera as fusões partidárias uma tendência inevitável apartir de 2002. "A união dos partidos governistas de um lado edos oposiconistas de outro poderá ser o embrião de novas siglas,que não passarão de meia dúzia", aposta Temer.Na sua avaliação, o pleito do próximo ano marcará o fim de umafase na política brasileira. "A era da infidelidade e dospartidos regionais se esgota nesta eleição", acredita oparlamentar. Segundo Temer, que por duas vezes presidiu a Câmarados Deputados, a sociedade e o Congresso já estão maduros parauma reforma política. "Essa eleição será a última com 38partidos, que nascem de iniciativas individuais e nãorepresentam uma tendência do pensamento nacional", analisa opresidente do PMDB. "A partir de 2002 não teremos mais do quequatro ou cinco partidos, porque não consigo ver mais do quequatro ou cinco tendências de opinião."De acordo com sua previsão, o fim da infidelidade partidáriapode acontecer até mesmo antes do pleito do ano que vem."Talvez consigamos votar a fidelidade partidária no início dapróxima legislatura", cogita Temer. "Se não, com certeza vamosaprová-la em 2003, porque essas mudanças já estão consolidadasna cabeça das pessoas e dos parlamentares."Além disso, o dirigente peemedebista lembra que o governo tambémestá interessado na mudança. "Com um número menor de partidos ecom fidelidade, fica mais fácil governar, porque o presidentenão precisa negociar individualmente e nem regionalmente",alega Temer. "Teremos partidos na acepção da palavra,representando parcelas da opinião pública nacional que pensam damesma maneira."O deputado costuma dizer que se um estrangeiro visitasse hoje oCongresso, durante uma votação, ficaria com a impressão de queexistem três partidos no Brasil: um que vota a favor do governo,outro que vota contra e um terceiro que vota alternadamente. "Éuma situação em que só nós conseguimos conviver. Se evitarmosisso para o futuro, vamos facilitar a governabilidade."A grande alavanca das mudanças, porém, acredita Temer, serámesmo o atual grau de fiscalização sobre os parlamentares. "OCongresso ficou mais responsável porque nunca foi tãofiscalizado, assim como todos os homens públicos", observaTemer. Ele lembra as investigações que levaram à renúncia depolíticos poderosos, como os dois ex-presidentes do Senado,Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Jader Barbalho (PMDB-PA).Mais do que isso, continua o deputado, o Congresso aprovoumedidas históricas, como a restrição para a edição de MedidasProvisórias e o fim da imunidade parlamentar.Esse fortalecimento do Legislativo, acredita o deputado, podedesembocar no parlamentarismo em 2006. "A partir do momento emque você tem partidos sólidos, caminha naturalmente para a maiorresponsabilização do Congresso e a partilha de poderes, o quesignifica parlamentarismo", raciocina Temer. Assim, ele achaque a eleição do novo presidente nem será o fato mais importanteno próximo ano. "O grande fato desse processo eleitoral será oamadurecimento de uma reformulação política que vai nos levar,mais tarde, ao parlamentarismo."

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