Temer planeja equipe econômica sem perfil político, dizem fontes

Vice-presidente pensa em escolher ministro da Fazenda que assuma compromisso de não concorrer nas eleições de 2018; convenção do PMDB deve oficializar rompimento com governo de Dilma na próxima terça-feira

Adriano Ceolin e Marcelo Moraes, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2016 | 17h32

Brasília - Nas conversas iniciais com aliados sobre um eventual governo do PMDB, o vice-presidente Michel Temer tem ponderado que não quer colocar nomes com perfil político na área econômica. Ele aposta no impeachment da presidente Dilma Rousseff até o fim de abril.

Segundo frequentadores do Palácio do Jaburu, o vice quer blindar a área econômica de qualquer viés político-eleitoral. Em outras palavras, o próximo ministro da Fazenda tem de assumir o compromisso de que não será candidato em 2018. "Nem em 2016", ressalta um interlocutor de Temer.

O principal objetivo de Temer é impulsionar uma reversão imediata das perspectivas ruins na economia. A avaliação geral é que, apesar dos problemas causados pela Operação Lava Jato, o impeachment de Dilma ganhou força pela total incapacidade do governo sinalizar alguma reação à turbulência econômica.

Para integrantes do núcleo de Temer, promover uma onda de notícias positivas logo no começo de um eventual governo é fundamental. A chegada de Mauricio Macri à presidência da Argentina serve como exemplo. Tão logo ele tomou posse o mercado financeiro passou a operar com mais otimismo.

Na retranca. Apesar de trabalhar com a hipótese de se tornar presidente, Temer tem rechaçado qualquer ação mais efetiva em favor do impeachment. Até porque o vice avalia que no atual momento pode continuar "jogando parado", à espera da queda do governo.

Além de querer evitar repetir equívocos que cometeu no fim de 2015, quando até uma carta com reclamações diretas a Dilma veio público, Temer tem observado que o governo tem cometido seguidos erros.

Entre eles, o maior de todos é rivalizar com o juiz Sérgio Moro, unanimidade nas manifestações de rua. No ano passado, lembra um interlocutor de Temer, o adversário do governo foi o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que já era investigado pelo Ministério Público.

Temer decidiu que não vai participar da reunião do PMDB que deverá oficializar o rompimento do partido com o governo na próxima terça-feira, 29.

No encontro, a mesa dos trabalhos será dirigida pelo primeiro vice-presidente do partido, senador Romero Jucá (RR). Em 2014, Jucá apoiou Aécio Neves (PSDB-MG) como candidato a presidente da República. Desde então, é um dos senadores que mais defendem o rompimento com Dilma.

No domingo, em entrevista exclusiva ao Estado, o senador José Serra (PSDB-SP) defendeu que Temer montasse um ministério "com alta qualidade executiva e espírito público". O vice-presidente não gostou das declarações do tucano e divulgou nota em que deixa claro que "não tem porta-voz".

Desde que a possibilidade de um governo Temer começou a ser aventada ainda no ano passado, Serra sempre surgiu nas bolsas de apostas. Agora, com os planos de vice de não ter um político na equipe econômica, o nome senador tucano perde força.

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