Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Temer perdeu as condições de governabilidade', diz o tucano Carlos Sampaio

Vice-presidente jurídico defende rompimento imediato com governo enquanto outra ala do PSDB pede cautela

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2017 | 18h32

Com 48 deputados federais, a bancada do PSDB na Câmara está dividida sobre a permanência do partido no governo Michel Temer. O grupo conhecido como “cabeças pretas”,  formado jovens parlamentares do baixo clero, pressiona fortemente a cúpula da sigla a entregar imediatamente os cargos da sigla na administração.

O movimento “rebelde” ganhou nesta quarta-feira, 24, uma adesão de peso, a do deputado Carlos Sampaio (SP), vice-presidente jurídico do partido. “Penso que ser responsável com o País, hoje, é pensarmos imediatamente, de forma equilibrada e serena, numa transição que respeite o regramento constitucional. O presidente Michel Temer perdeu as condições mínimas de governabilidade”, disse o Sampaio ao Estado, após reunião da bancada do PSDB na Câmara.

Diante do avanço do grupo, o senador Tasso Jeiressati (CE), presidente interino do PSDB, foi chamado para acalmar os ânimos na reunião da bancada. Ouviu, no encontro, vários discursos exaltados.  “Não devemos ficar no governo Temer. Infelizmente ele não tem condições de permanecer no cargo. Defendo a renúncia”, disse o deputado Adérmis Marinci (SP).

O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), também foi acionado para conter o movimento. A ideia é ganhar tempo para articular uma saída política e escolher um nome para disputar a eleição indireta em conjunto com o PMDB e o presidente Temer. "A ideia é monitorar a bancada dia a dia", disse Tripoli.  

Em outra frente, jovens lideranças do PSDB que ganharam força nas eleições municipais do ano passado também pressionam pelo rompimento e pedem a renúncia definitiva de Aécio Neves (MG) da presidência do partido. “Não faz mais sentido continuar apoiando o governo Temer. Sobre Aécio, defendo o afastamento definitivo dele do Senado e da presidência do partido”, disse ao Estado o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Orlando Morando.

Ele gravou um vídeo com sua posição e distribuiu em um grupo de WhatsApp do PSDB. A iniciativa repercutiu na reunião da bancada. Outro nome “cabeça preta” que pede abertamente a saída de Temer é o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan. 

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