André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temer pede candidato 'ponderado, equilibrado, estadista' para sua sucessão

Em entrevista para rádio, presidente projetou regime semipresidencialista apenas para 2022

Eduardo Laguna e André Ítalo Rocha, Estadão Conteudo

20 Dezembro 2017 | 19h34

Terminando 2017 com objetivo de se recuperar de problemas de saúde e sem conseguir aprovar a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer demonstrou otimismo para o próximo ano. Em entrevista para rádio BandNews no começo da noite desta quarta-feira, ele projetou um 2018 "mais tranquilo, apesar das eleições". Questionado sobre o pleito, ele disse não saber como serão as alianças feitas pelo PMDB (agora MDB) e nem se o partido terá candidatura própria, mas afirmou que quer um candidato "ponderado, equilibrado, estadista" para sua sucessão no Planalto. Semipresidencialismo? Só para 2022, segundo Temer.

“Quem vier a ser candidato terá que defender as reformas e, ao defender as reformas, estará cravado no programa dele o governo Temer”, declarou o peemedebista. Assim, o futuro presidente poderia trabalhar para uma mudança do presidencialismo para o semipresidencialismo e trazer mais estabilidade para o País, pois, caso o governo não vá bem, quem cai é o primeiro-ministro, não o presidente. 

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"Veja quantos presidentes foram depostos por impeachment", disse Temer. Sem apoio do Congresso, o primeiro-ministro receberia o chamado "voto de desconfiança", quando os parlamentares expressam ausência de governabilidade. "A ideia é transferir responsabilidade governamental ao Poder Legislativo", disse. Temer contou que tem "discutido muito" esse tema com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Segundo o peemedebista, a ideia é tocar esse projeto após a aprovação da reforma da Previdência e a simplificação do sistema tributário.

 

Desafios. Temer garantiu que não estará nas eleições e reafirmou na entrevista a expectativa de aprovação da reforma da Previdência em fevereiro, de forma que, segundo ele, o próximo presidente não terá que liderar muitas outras reformas. 

Segundo ele, com a recuperação econômica e dos empregos, a tendência é que o governo tenha índice de aprovação muito maior até maio. “Tenho absoluta convicção de que isso vai acontecer”, previu. O que atrapalha a melhora na sua aprovação (que, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira, passou de 2% para 6%) são as denúncias que sofreu em maio, quando a delação dos empresários da JBS atingiu em cheio o peemedebista.

"Os dados não foram mais volumosos em função do que essa gente produziu em maio", comentou durante entrevista para a Bandnews FM, na qual classificou as acusações como uma tentativa de derrubar o presidente da República.

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Sem citar o nome do empresário Joesley Batista, da JBS, ou do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, o presidente afirmou que todos os que o acusaram estão sendo desmascarados, sendo que alguns estão presos, como o ex-executivo do frigorífico. Também considerou que as acusações atrapalharam o País, já que a reforma da Previdência seria "tranquilamente" votada em maio. "Isso atrapalhou, mas não parou o País", afirmou o presidente. Segundo ele, fatos a serem divulgados vão revelar a "inverdade" da denúncia e o prejuízo causado ao Brasil.

Já sobre sua saúde, o presidente, que nos últimos meses passou por três cirurgias, duas na uretra e uma no coração, afirmou que está "muito bem" de saúde e com condições de enfrentar o próximo ano "com muita energia".

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