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Temer: ônus e bônus

Tucanos (e também democratas, virtuais apoiadores de Alckmin) se dividem sobre a conveniência de uma aliança com o emedebista

Vera Magalhães, O Estado de S.Paulo

20 Junho 2018 | 03h00

A mais controversa questão hoje no quartel-general de Geraldo Alckmin é se vale a pena ou não ter o apoio formal do MDB ao tucano. O partido de Michel Temer, por sua vez, quer evitar rifar seu pré-candidato antes da hora para ficar “na esquina esperando” por uma conversa com os tucanos em situação inferior, em vez de fazer valer sua condição de um dos maiores partidos do País.

Foi por isso que o presidente do partido, senador Romero Jucá (RR), se apressou em colocar a bola no chão, dizer que não tem nenhuma conversa marcada com Marconi Perillo e referendar a pré-candidatura de Henrique Meirelles. “Junho é o primeiro tempo da partida. O segundo tempo é julho. O jogo só termina depois do segundo tempo. Até lá, todos os partidos têm de procurar ganhar”, diz ele à coluna, aproveitando o espírito de Copa.

Tucanos (e também democratas, virtuais apoiadores de Alckmin) se dividem sobre a conveniência de uma aliança com Temer. Quem advoga por ela elenca a capilaridade do partido no Brasil, seu tempo de TV e a força de máquinas de prefeituras e governos como prós capazes de superar o desgaste da impopularidade de Temer. Quem rechaça essa aliança diz que a toxicidade do presidente é tal que nem essa estrutura compensaria o estrago que ele é capaz de causar.

Diante do desconforto com essa espécie de leilão às avessas de seus preciosos ativos, o MDB recolheu os flaps e vai deixar Meirelles seguir com o script de pré-candidato. “Conversa agora é para pavimentar uma relação lá para a frente, não pode ser vista como a busca de capitulação”, diz Jucá, que agora vai recolher o time para a retranca.

EM CASA

Falta de ênfase na segurança prejudica Alckmin em SP

Tucanos que percorrem o interior de São Paulo em pré-campanha detectaram uma das razões para a falta de votos de Geraldo Alckmin “em casa”: a falta de ênfase na área de segurança pública, um dos principais problemas para os paulistas. O diagnóstico é que, a despeito de seu governo ter sido bem-sucedido em alguns indicadores de segurança, Alckmin não consegue capitalizá-los nem apresentar propostas para a onda de criminalidade que abate as áreas urbanas e rurais de todas as regiões do Estado.

REPRISE

‘Pavio curto’ de Ciro assusta potenciais aliados

Episódios como o ataque ao vereador Fernando Holiday e a retirada intempestiva em meio ao Congresso dos Municípios Mineiros, ontem, levaram virtuais apoiadores de Ciro Gomes a manifestar preocupação com o pavio curto do pedetista, um traço de personalidade conhecido que ele vinha procurando mitigar nesta terceira tentativa de chegar à Presidência. “Ele demonstrou ser o mesmo Ciro de sempre, que cai em qualquer casca de banana”, observou um dirigente do DEM que participa das conversas de bastidores para uma eventual aliança com o cearense. No PSB também repercutiram mal os episódios de novos destemperos emocionais de Ciro. A ala favorável a uma aliança com ele diz que a instabilidade emocional é um dos fatores evocados por aqueles sensíveis à pressão do PT para que partido pelo menos fique neutro na disputa. Bombeiros como o irmão de Ciro, Cid Gomes, entraram em campo para tentar mitigar o efeito do “Ciro Pistola” nas tratativas.

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