ANDRE DUSEK|ESTADAO
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Temer nega 'relação próxima' a Zelada

Após, segundo a Globonews, Delcídio ter citado vice-presidente e ex-diretor da Petrobrás em depoimento à PF, nota do peemedebista nega que tenha o indicado ou trabalhado para mantê-lo no cargo e afirma repudiar 'veementemente' fala do senador

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2015 | 16h18

O vice-presidente Michel Temer negou nesta sexta-feira, 27, que mantenha uma “relação próxima” a Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobrás, que foi preso em julho pela Operação Lava Jato.

A suspeita foi levantada pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS), durante depoimento à Polícia Federal. Questionado sobre como seriam essas relações, o ex-líder do governo preferiu não responder. As informações foram reveladas pela Globonews, que teve acesso ao documento.

A nota da assessoria de imprensa do vice-presidente da República afirma que o vice repudia “veementemente” as declarações de Delcídio e diz que Temer foi apresentado a Zelada em 2007, quando ele foi indicado para assumir o cargo na Petrobrás. “O presidente do PMDB (Temer) não o indicou nem trabalhou pela sua manutenção no cargo”, diz o texto.

Zelada é acusado de receber propina do esquema da Petrobrás e teria chegado ao cargo com apoio do PMDB. Nas gravações feitas pelo filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, Delcídio disse que o vice estaria preocupado com a delação de Zelada, que substituiu Cerveró na diretoria da Área Internacional da estatal. 

Depoimento. O ex-líder do governo no Senado afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que não conversou com ministros do Supremo Tribunal Federal sobre um possível habeas corpus para o ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Segundo documento obtido pela Globonews, o senador disse que o filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, queria que ele se valesse de seu cargo para interceder junto à Corte, mas que isso não aconteceu. Segundo Delcídio, o que disse para Bernardo foram "palavras de conforto", porque sabia que uma iniciativa desse tipo seria "infrutífera". O senador reconheceu, porém, que esteve com o ministro Dias Toffoli, mas para tratar de questões relativas ao Tribunal Superior Eleitoral. Delcídio foi preso nesta quarta-feira, 25, sob suspeita de tentar barrar investigações da Lava Jato.

Nas gravações feitas pelo filho de Cerveró, Delcídio disse que o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) estaria preocupado com uma delação de Jorge Zelada, ex-diretor que sucedeu Cerveró na área Internacional da Petrobrás. No depoimento obtido pela rede de TV, a senador afirma ter dito isso por ter informações de que Temer tinha relações próximas com Zelada. Questionado pela PF sobre como seriam essas relações, o senador preferiu não responder.

Delcídio disse aos investigadores que conheceu Cerveró em 1999, quando assumiu a diretoria de Gás e Energia da estatal, no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). E que, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu a Presidência, foi consultado pela presidente Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia, sobre a indicação de Cerveró para a diretoria Internacional.

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