André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Temer nega que Segurança sairá da estrutura da Justiça

Presidente consultou aliados sobre dividir as atuais funções da pasta e dar mais poder à secretaria que cuida da área de Segurança Pública

Carla Araújo, Tânia Monteiro e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2017 | 12h57

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer indicou nesta quinta-feira, 16, que não pretende tirar a Secretaria Nacional de Segurança Pública da estrutura do Ministério da Justiça. Ao ser questionado por jornalistas, ao final do evento de sanção da nova lei do ensino médio, sobre se a secretaria sairá da pasta, Temer respondeu gesticulando um sinal negativo.

Conforme mostrou o Estado nesta quinta-feira, Temer consultou aliados sobre dividir as atuais funções do Ministério da Justiça e dar mais poder à secretaria que cuida da área de Segurança Pública. Com a mudança, ele poderia abrigar no governo seu amigo de longa data Antônio Claudio Mariz de Oliveira, que já havia sido descartado como ministro por causa de posições contrárias à Operação Lava Jato.

Desde o afastamento de Alexandre de Moraes do cargo, por ter sido indicado a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), Temer tem buscado um nome para assumir a pasta. Anteontem, convidou o ex-ministro do STF Carlos Velloso. A ideia, porém, é que o jurista faça uma espécie de "dobradinha" com outro nome mais ligado à área de Segurança.

No novo arranjo analisado pelo Planalto, Mariz poderia comandar uma secretaria com status de ministério para cuidar da Segurança Pública. O advogado criminalista tem experiência na área. Ele já foi secretário de Segurança e Justiça de São Paulo na década de 1990, no governo Orestes Quércia.

Um dos cenários estudados, segundo auxiliares do presidente, era o de levar para dentro do Palácio do Planalto o comando da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Neste caso, não haveria status de ministro para o secretário porque a área poderia ficar subordinada à Casa Civil ou direto à Presidência, mas criaria um "secretário forte".

A ideia, no entanto, já encontrava resistência no Planalto. Segundo um interlocutor, ao retirar a Senasp da Justiça e levá-la para o Planalto, Temer colocaria no seu colo problemas como a crise penitenciária e a paralisação de policiais, que em primeira instância é atribuição dos Estados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.