Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Ao negar atuação por Cunha, Temer diz que governo não é 'ação entre amigos'

Segundo o líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino, declaração foi dada pelo presidente em exercício em reunião com deputados nesta quinta; peemedebista teria dito ainda que Casa tem 'autoridade' para resolver imbróglio

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2016 | 12h40

BRASÍLIA - O líder do DEM na Câmara, Pauderney Avelino, afirmou que o presidente em exercício Michel Temer negou interferências do governo no processo de cassação do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e disse que o seu governo "não é uma ação de amigos".

O parlamentar amazonense reuniu-se com Temer na manhã desta quinta-feira, 9, ao lado dos líderes do PSDB, deputado Antonio Imbassahy (BA), do PSB, Paulo Foletto (ES), e do vice-líder do PPS, Arnaldo Jordy (PA). O encontro aconteceu no Palácio do Planalto e foi solicitado pelos líderes da antiga oposição

"Ele disse que não há qualquer interferência do governo na questão Cunha com o Legislativo. Disse que o governo dele não é uma ação entre amigos", afirmou Pauderney em entrevista após o encontro. Segundo o líder do DEM, Temer disse que a Câmara vai decidir seu destino sem interferência do Palácio do Planalto.

Mais cedo, o líder do PSB na Câmara, deputado Paulo Foletto, também foi na mesma linha dePauderney. "Ele disse que não ia se meter. Ele deixou claríssimo que a Câmara tem tamanho e autoridade para resolver isso", afirmou Foletto ao Broadcast Político, serviço de notícias da Agência Estado.

Além de favoráveis à cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), PSB, DEM, PSDB e PPS queriam apoio de Temer para aprovar o regime de urgência para um projeto de Resolução que declara vago o cargo de presidente da Câmara.

O projeto de Resolução é de autoria do deputado Roberto Freire (SP), presidente nacional do PPS. Para que o requerimento de urgência da proposta seja apresentado, os partidos precisam de assinaturas de líderes que representem 171 deputados. Até o momento, porém, apenas os líderes dos quatro partidos assinaram. PT, PMDB e partidos do Centrão - aliados de Cunha - resistem em apoiar a proposta. 

Eles também são contra a presidência interina de Waldir Maranhão (PP-MA). Dizem que o maranhense não tem condições políticas de presidir a Casa. Na quarta, 7, após pressão, conseguiram fazer Maranhão deixar a sessão em que se votava a Desvinculação das Receitas da União (DRU).

O líder do PSB afirmou que Temer disse estar focado em projetos para retomada do crescimento econômico. Segundo Foletto, o presidente em exercício pediu apoio dos líderes para aprovar, na próxima semana, os projetos que alteram regras para nomeações em empresas estatais e fundos de pensão e para a PEC que limita gastos públicos, a qual Temer prometeu enviar na próxima semana à Câmara.

Cunha. Nos últimos dias, opositores de Cunha acusam o Planalto de atuar sobre o PRB, que possui cargos na Esplanada dos Ministérios, para convencer a deputada Tia Eron (PRB-BA) a votar a favor do peemedebista no Conselho de Ética. O voto dela é considerado decisivo para aprovar a cassação de Cunha. "Ele (Temer) disse que não há qualquer interferência do governo na questão Cunha com o legislativo. Disse que o governo dele não é uma ação entre amigos", afirmou Pauderney em entrevista após o encontro. Segundo o líder do DEM, Temer disse que a Câmara vai decidir seu destino sem interferência do Palácio do Planalto.

Conselho de Ética. O líder do DEM também anunciou a troca de membros suplentes do partido no Conselho de Ética. O deputado Mandetta (MS) substituirá Onyx Lorenzoni (RS), que viajará em missão oficial. Segundo Pauderney, a troca não alterará votos no caso Cunha, pois Mandetta também é favorável à cassação do peemedebista.

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