Estadão
Estadão

Temer não usará carro aberto para ir ao desfile de 7 de setembro

Ao lado de seus ministros, presidente sabe que poderá enfrentar vaias, apesar do cuidado da assessoria do Palácio do Planalto em selecionar os convidados

Tânia Monteiro e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2016 | 10h20

Brasília - Pela primeira vez, a cerimônia de comemoração do Dia da Independência será comandada pelo presidente Michel Temer, que assumiu o cargo a menos de uma semana. Ao contrário dos ex-presidentes petistas Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, Michel Temer não usará o rolls royce presidencial para se deslocar pela Esplanada e chegar ao local onde assistirá o desfile. Ao lado de seus ministros, Temer sabe que poderá enfrentar vaias, apesar do cuidado da assessoria do Palácio do Planalto em selecionar os convidados para evitar que petistas e simpatizantes do governo passado ocupem as arquibancadas que ficam em frente ao palanque presidencial ou ao lado dele.

Este procedimento de ter controle rígido sobre as pessoas que ocuparão estas arquibancadas sempre foi feito também pelos governos petistas, embora em muitas ocasiões tenham ocorrido gritos e vaias causando constrangimentos aos ex-presidentes. Por isso mesmo, haverá reforço na segurança no local do evento, para evitar surpresas e duas espécies de cerca impedirão que manifestantes cheguem em frente ao palanque presidencial.

A princípio, a primeira-dama, Marcela, e o filho Michelzinho também estarão ao lado de Temer durante o desfile, que está marcado para começar pontualmente às 9 horas. Da mesma forma, Temer deverá estrear a faixa presidencial, que foi motivo de grande polêmica por conta das notícias de que, primeiro, a faixa tinha sumido e, depois, de que o broche que compõe a faixa, embora tudo estivesse intacto, estava fora do lugar.

A joia, que teria sumido, foi supostamente achada depois, embaixo do móvel onde ele deveria estar guardado. O mistério deverá ser desvendado pela Polícia Federal, a quem foi pedida uma averiguação dos fatos.

Somente nesta terça-feira, quando retornar da viagem à China, Temer dará a última palavra sobre a presença da família presidencial e o uso da faixa. Se houver possibilidade de ambiente hostil, isso poderá afastá-los do local. Temer, que vinha evitando expor a mulher, já mandou preparar um gabinete no terceiro andar do Planalto, o mesmo usado Marisa Letícia quando Lula era presidente, para que ela o ocupe, para começar a atuar na área social de seu governo. Ela aturará no programa por enquanto batizado de "Criança Feliz", coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Este programa está em fase final de preparação e será lançado ainda em setembro, com objetivo de beneficiar cerca de quatro milhões de crianças de zero a quatro anos, beneficiadas pelo Bolsa Família.

Para aumentar a segurança do local do desfile, o muro que dividiu a esplanada para a votação do impeachment permaneceu no local. Um segundo muro, com chapas de metal, que cerca toda a área em frente ao palanque presidencial também foi colocado. Estas duas proteções também existiam no ano passado. A preocupação do governo com o desfile aumentou depois das manifestações do fim de semana e com a ocupação do Ministério do Planejamento ocorrida nesta segunda-feira.

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, disse que o governo não tem preocupação com as manifestações do dia 7 e que acredita que os protestos são "nitidamente convocados" por aliados da ex-presidente Dilma Rousseff. "Na minha avaliação pessoal, creio que essas manifestações, ainda que legítimas e que possam ser expressivas, são manifestações, pelas suas características, nitidamente convocadas. Fruto de mobilização de partidos políticos, de entidades sindicais vinculadas ao governo deposto por crime de responsabilidade fiscal", declarou. "É o que a gente observa como tem que observar tudo que acontece no País, mas sem nenhuma preocupação excessiva, mas com todo respeito por aqueles que estão nas ruas", completou.

Custo. O custo para a realização do 7 de setembro, segundo o Planalto, é da ordem de R$ 1,1 milhão. No ano passado, foram gastos R$ 1,187 milhão. As arquibancadas foram montadas para um público de 20 mil pessoas, mas a expectativa é de que o público presente à Esplanada seja entre 30 e 35 mil pessoas. Telões e banheiros químicos foram distribuídos onde ocorrerá o desfile. Além disso, dez postos de saúde foram distribuídos ao longo do gramado central e das vias laterais. Aproximadamente 3.300 militares da Marinha, Exército, Aeronáutica, PMDF, CBMDF e Polícia Federal participarão do desfile a pé, motorizado e aéreo. O desfile civil contará com 1.200 participantes entre alunos e bandas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.