Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Temer não acredita em armação da PF contra Cunha

Vice-presidente e presidente nacional do PMDB refuta hipótese levantada por parlamentar quando divulgou gravação na semana passada

ANA FERNANDES, Estadão Conteúdo

26 de janeiro de 2015 | 13h17

São Paulo - O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, disse nesta segunda-feira, 26, não acreditar que a Polícia Federal possa ter sido usada em alguma ação para prejudicar a candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados. "Não acredito e nem o Eduardo Cunha acredita. A Polícia Federal cumpre seu papel de investigação. Eu não acredito que alguém da Polícia Federal pudesse fazer isso", afirmou, após sair de um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

Na terça-feira, 20, Eduardo Cunha apresentou o áudio de uma gravação feita em tom teatral, supostamente com a intenção de prejudicá-lo politicamente em um momento em que as tensões se acirram principalmente contra o candidato ligado ao governo Arlindo Chinaglia (PT-SP).Na ocasião, ele acusou a 'cúpula da PF' de fazer a gravação para incriminá-lo no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.

O áudio foi encaminho à Polícia Federal e virou alvo de inquérito do órgão. A eleição para presidência da Casa ocorre no próximo domingo, 1 de fevereiro.

Envolvimento. O nome de Cunha já foi citado duas vezes durante as investigações da Lava Jato. A investigadores da operação, o agente da PF apontado como carregador de malas de Alberto Youssef, Jayme Alves de Oliveira disse ter levado dinheiro a uma casa que, de acordo com o Youssef, seria de Cunha. Dois meses depois, no começo de março, a defesa do policial apresentou uma retificação do depoimento, em que era informado outro endereço e dizia não ser possível indicar quem era o dono do imóvel.

Quando o caso foi revelado, Cunha se disse vítima de "alopragem" de interessados em prejudicar sua candidatura à Presidência da Câmara. Além do agente da PF, Alberto Youssef também citou a participação de Cunha no esquema de pagamentos de propina com recursos da Petrobrás. O depoimento do doleiro, contudo, foi feito em delação premiada e está sob sigilo de Justiça. Também em janeiro, no entanto, o advogado de Youssef convocou a imprensa para dizer que o doleiro desconhece Cunha. O parlamentar nega que tenha recebido dinheiro do esquema.

Sobre o tom da disputa para a presidência da Câmara, Temer disse que é natural que seja mais duro à medida que o pleito se aproxima. "É natural que ocorram acidentes e incidentes. Nesta última semana, há um agravamento nesses incidentes, mas tenho certeza que, ao final dessa semana, feita a eleição, a Câmara se pacifica em torno do candidato eleito." 

Tudo o que sabemos sobre:
Michel TemerFiespEduardo Cunha

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.