Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Temer mantém a discrição enquanto pressão para desembarque do PMDB aumenta

Vice-presidente continua com postura discreta em meio ao arrefecimento da crise que envolve o governo

Ana Fernandes, São Paulo

17 de março de 2016 | 13h59

SÃO PAULO - O vice-presidente Michel Temer continua com uma postura discreta em meio ao arrefecimento da crise que envolve o governo da presidente Dilma Rousseff. Pela manhã desta quinta-feira, ele foi de sua residência ao seu escritório de advocacia na capital paulista. Seguiu em carro oficial, sem ser visto em público e sem falar com a imprensa.

Apesar de ter o entendimento que nesse ponto será quase inevitável o desembarque do PMDB do governo, segundo fontes ouvidas pelo Estado, a decisão firme de Temer é se manter distante dos holofotes e principalmente das câmeras para evitar ser associado a uma imagem de vice golpista, que conspira contra a presidente Dilma. "Ele sabe que o desembarque vai acontecer e deve ser até antes dos 30 dias, mas ele não pode se envolver publicamente", afirmou uma fonte.

Temer, que é também presidente nacional do PMDB, tem sido pressionado internamente para acelerar o desembarque do governo, dado o aumento da tensão no Planalto. A divulgação dos grampos entre Dilma e o ex-presidente Lula ontem e a batalha jurídica que cresce hoje em torno da nomeação de Lula para a Casa Civil ajudam a engrossar o coro da ala oposicionista do PMDB.

Paulo Skaf, do PMDB paulista e presidente da FIESP, é das vozes mais ativas pela deposição de Dilma. É o responsável pela campanha do pato - de que o brasileiro não deve "pagar o pato" - que colocou inclusive patos infláveis na Avenida Paulista na grande manifestação pelo impeachment no domingo, 13. Na segunda-feira, 14, Skaf se reuniu com Temer e segue pressionando para que o partido se dissocie formalmente do governo petista.

No sábado, 11, a convenção nacional do PMDB em Brasília determinou um prazo de 30 dias para que o diretório nacional seja convocado e vote a saída do governo. Há diretórios estaduais do PMDB, no entanto, já pressionando para que não se cumpra esse aviso prévio e pedem que o diretório seja convocado o mais brevemente possível dados os acontecimentos recentes.

Apesar da discrição, Temer deu um recado claro ao não comparecer à posse de Lula como ministro da Casa Civil em Brasília nesta quinta. A cerimônia foi a mesma que empossou Mauro Lopes (PMDB-MG) como ministro da Secretaria da Aviação Civil. Oficialmente, Temer como presidente nacional da sigla cumpre o papel de respeitar a convenção (órgão máximo de uma legenda) e não avaliza a nomeação de Lopes - a convenção do sábado havia determinado que no prazo de 30 dias peemedebistas não assumiriam novos cargos do governo. Para além de Mauro Lopes, Temer deixa claro a intenção de dissociar sua imagem de Dilma e de Lula.

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