Temer levará casos mais graves de cotas à Corregedoria

Até agora, os mais graves são de deputados suspeitos de participar de esquema clandestino com agências

LUCIANA NUNES LEAL E DENISE MADUEÑO, Agencia Estado

27 de abril de 2009 | 18h40

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu mandar para a Corregedoria da Casa - responsável pela investigação preliminar nos processos de quebra de decoro parlamentar - todos os casos em que houver forte indício de ilegalidade ou abuso por parte dos deputados na utilização das cotas de passagens aéreas. Até agora, os casos mais graves são de deputados suspeitos de participar do comércio clandestino de créditos excedentes, em parceria com agências de viagens e funcionários dos gabinetes.

 

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Temer disse também que "muito possivelmente" encaminhará ao corregedor, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), o caso do deputado Eugênio Rabelo (PP-CE), que usou sua cota para patrocinar 77 passagens de jogadores, técnicos e dirigentes do Ceará Sporting Club, segundo reportagem do jornal "Folha de S. Paulo". Os bilhetes foram emitidos em 2007, quando Rabelo presidia o clube. Segundo a reportagem, o deputado bancou também passagens para parentes, radialistas e amigos dos atletas. O parlamentar reconheceu o uso da cota para emissão dos bilhetes.

O argumento dos deputados que participaram da farra das passagens é de que não havia regras claras para o uso do benefício. Normas restritivas foram aprovadas pela Mesa Diretora da Câmara depois que os escândalos vieram à tona. "Vou mandar todos os casos (com indícios fortes de irregularidades) para a corregedoria", prometeu Temer.

Sobre o deputado Fábio Faria (PMN-RN), no entanto, o presidente disse ainda não ter decidido o que fazer. Com a cota de passagens aéreas, Faria pagou passagem para 12 pessoas, entre parentes, amigos, artistas da TV Globo e profissionais que trabalharam em seu camarote no carnaval fora de época de Natal, o Carnatal. Entre os passageiros estavam sua ex-namorada Adriane Galisteu e a mãe dela, que viajou para os Estados Unidos às custas do deputado. Faria devolveu à Câmara R$ 13,7 mil e mandou explicações por escrito para Temer. "Vou decidir sobre esse caso", afirmou o presidente da Câmara.

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