Nilton Fukuda|Estadão
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Temer lamenta prisão de Paulo Bernardo: 'é um fato doloroso'

'Vi a declaração de Gleisi de que ele (Paulo Bernardo) foi detido na frente dos filhos. É um fato doloroso e eu quero lamentar publicamente a prisão dele', afirmou o presidente interino

Mateus Fagundes e Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

24 de junho de 2016 | 10h29

São Paulo - O presidente em exercício, Michel Temer, afirmou em entrevista exclusiva à Rádio Estadão que lamenta o contexto da prisão de Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O político petista, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), integrante da chamada tropa de choque de Dilma na comissão do impeachment no Senado Federal, foi preso na manhã de ontem, 23, em Brasília, no âmbito da operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato na Justiça Federal em São Paulo.

"Vi a declaração de Gleisi de que ele (Paulo Bernardo) foi detido na frente dos filhos. É um fato doloroso e eu quero lamentar publicamente a prisão dele", afirmou Temer. "De qualquer maneira, é preciso prestar obediência às decisões (judiciais)." Os principais nomes de seu partido, o PMDB, também estão na mira das autoridades. O procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu a prisão preventiva do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e do senador e ex-ministro de Temer Romero Jucá (PMDB-RR), mas a solicitação foi negada pelo Supremo.

Além disso, o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) responde a duas ações penais no STF e ainda aguarda a decisão do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, sobre o pedido de prisão dele. Sua mulher Claudia Cruz também é ré na Lava Jato em Curitiba, no Paraná, perante o juiz Sérgio Moro.

Questionado sobre o fato de a ação da Polícia Federal, que prendeu o ex-ministro e fez busca e apreensão no apartamento funcional de sua esposa, a senadora Gleisi, que tem foro privilegiado, ter sido autorizado por um juiz de primeiro grau e não pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente em exercício defendeu a manutenção da harmonia entre os poderes legislativo e judiciário. "É preciso prestar muito obediência a este princípio", disse, complementando que a desarmonia é inconstitucional.

Preso na manhã de ontem, Paulo Bernardo é investigado pela suposta coordenação de um esquema de corrupção no Ministério do Planejamento, que teria desviado R$ 100 milhões entre 2010 e 2015. 

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