UESLEI MARCELINO | REUTERS
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Temer já se comporta como efetivo

Com atenção voltada ao placar do impeachment de Dilma Rousseff no Senado, presidente em exercício atendeu parlamentares e comandou solenidade no salão nobre do Palácio do Planalto, na qual distribuiu afagos e usou seu discurso para fazer promessas

Tânia Monteiro e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Com atenção voltada ao placar do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff no Senado, o presidente em exercício Michel Temer atendeu nesta quarta-feira, 24, parlamentares e comandou uma solenidade no salão nobre do Palácio do Planalto, na qual distribuiu afagos e usou seu discurso para fazer promessas, se comportando como se já estivesse efetivado no cargo. O julgamento final da petista começa nesta quinta-feira, 25, no Senado. 

O dia e as negociações para consolidar o placar do impeachment, no entanto, acabaram sendo atropelados pela animosidade criada com o PSDB e o DEM, que se rebelaram contra o aumento do Judiciário e exigiram do Planalto um posicionamento contra o reajuste de salários dos servidores. Ao fim da tarde, porém, o governo obteve uma vitória no Senado, com a aprovação, em segundo turno, por 54 votos, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que recria a Desvinculação de Receitas da União (DRU).

Em uma demonstração clara de sua preocupação com o futuro, Temer permaneceu no Palácio do Planalto até a madrugada desta quarta-feira acompanhando a aprovação do texto-base da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 no Congresso, que incluía o teto de gastos, considerada peça fundamental para o ajuste fiscal. 

Reajuste. Por causa desta votação, o jantar que estava marcado na casa do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi transferido para a noite desta quarta-feira. O encontro ganhou um ingrediente a mais no cardápio, com os depoimentos públicos de tucanos cobrando do Planalto que o partido do presidente em exercício, o PMDB, assim como os outros da base, rechaçassem a proposta de aumento do Judiciário, em razão do impacto do reajuste no Orçamento da União. 

Além de concentrar esforços recebendo deputados e senadores em seu gabinete para assegurar os pelo menos 54 votos necessários para aprovar o afastamento definitivo de Dilma, Temer acabou abrindo espaço em sua agenda para discutir a crise com os tucanos, ao receber o senador José Aníbal (PSDB-SP). 

‘Autoridades’. Temer esteve ainda com o senador Eduardo Amorim (PSC-CE) e, durante a cerimônia de lançamento do Plano Agro Mais, no palácio, em um salão repleto de parlamentares, fez questão de agradecer em seu discurso a presença de “tantas autoridades”. 

No início de seu discurso, Temer comentou sua vontade de criar um órgão especializado em desburocratizar o País. “O que o País mais precisa é eficiência”, afirmou o presidente em exercício, que, em seguida, dirigiu a palavra a um dos senadores que estavam na plateia, Waldemir Moka (PMDB-MS). 

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