REUTERS/Ueslei Marcelino
REUTERS/Ueslei Marcelino

Temer ganha fôlego, mas crise segue, dizem aliados

Após vitória no TSE, líderes de partidos da base do governo afirmam que uma eventual denúncia da PGR se manterá como ameaça sobre o presidente

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2017 | 00h35

BRASÍLIA - Líderes da base aliada avaliam que o resultado do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a favor do presidente dá um fôlego, mas não traz tranquilidade ao governo. Governistas afirmam que Temer seguirá ameaçado por eventual denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar contra ele com base na delação da JBS.

“Não acaba com a crise. Temos que monitorar se houver instabilidade para o País com fatos relevantes”, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP). Segundo ele, além da absolvição pelo TSE, a legenda vai levar em conta os “14 milhões de desempregados” que o País tem hoje, ao decidir sobre o desembarque ou não do governo. A decisão será tomada durante reunião marcada para esta segunda-feira.

Para o líder do PR na Câmara, José Rocha (BA), a absolvição de Temer pelo TSE é positiva para o governo, mas não encerra a crise política. “A cada dia podem surgir fatos novos. Estávamos na expectativa do TSE, agora da denúncia da PGR e continua a expectativa das delações, se o (doleiro Lúcio) Funaro vai delatar, se (o ex-assessor de Temer e suplente de deputado, Rodrigo) Loures, vai relatar”, afirmou Rocha.

O líder do PSD, deputado Marcos Montes (MG), avaliou que o resultado do TSE melhora o cenário Temer, mas não o faz “navegar em mares calmos”. Segundo ele, a decisão da corte dá a Temer uma “força relativa”. “Ele vai ficar na corda bamba, mas vai se equilibrar”, afirmou. Montes afirmou, porém, que dois fatos podem “afinar” a corda: o desembarque do PSDB e possíveis delações “bombásticas”.

Desembarque. A avaliação é a de que uma eventual saída dos tucanos da base aliada tem potencial para provocar um desembarque em cascata de outras legendas. 

A bancada do PRB, por exemplo, já marcou reunião também para segunda-feira para avaliar o cenário pós-TSE/PSDB. “Hoje nossa posição é a de se manter no governo, mas aguardamos o desfecho das situações e estamos acompanhando movimento dos demais partidos”, disse o líder da sigla, deputado Cleber Verde (MA).

Líderes da base avaliam ainda que uma eventual denúncia da PGR hoje não passa na Câmara, mas, dependendo de seu teor, o cenário pode mudar. “Hoje não passa, mas se ela for pesada, complica muito mais. Não só o teor, mas as comprovações”, afirmou Montes. O parlamentar avaliou que o TSE julgou Temer mais em uma “linha eleitoral”, deixando, com isso, a parte criminal para que o Supremo analise.

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