'Temer foi claro. Espero que o PMDB possa rever posição', diz relator sobre aumento do STF

Para Ricardo Ferraço, o aumento vai na 'direção contrária do equilíbrio fiscal'; em entrevista, Temer afirmou que impacto do reajuste pode ser 'gravíssimo' e gerar cascata

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2016 | 10h42

BRASÍLIA - Relator do projeto que concede aumento para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) cobrou nesta segunda-feira, 12, que o PMDB reveja o posicionamento favorável à proposta, após declarações do presidente Michel Temer sobre o tema.

Em entrevista concedida ao jornal 'O Globo' divulgada neste domingo, 11, Temer considerou como “gravíssimo” o impacto que o reajuste pode causar nos cofres públicos. “Isso daí gera uma cascata gravíssima. Porque pega todo o Judiciário, outros setores da administração, todo o Legislativo”, afirmou o presidente. Segundo ele, “não é o momento adequado para isso”. O projeto em discussão aumenta de R$ 33.763,00 para R$ 39.293,32 os salários dos ministros do STF. Os rendimentos dos integrantes do STF servem como referência para o teto do funcionalismo.

“A fala de Temer foi clara e objetiva. Espero que o PMDB possa rever aqui no Senado sua posição a favor do aumento”, afirmou Ferraço ao Estado. “Esse aumento trabalha na direção contrária do equilíbrio fiscal”, emendou o senador tucano, que apresentou parecer contrário à proposta.

Por falta de um consenso, os senadores decidiram na última quinta-feira, 8, adiar a votação de um requerimento de urgência que daria celeridade à votação da proposta. Caso fosse aprovado o documento, o projeto seria discutido diretamente no plenário da Casa sem a necessidade de passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Tal manobra tem sido condenada pelo líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP). “Defendo a rejeição do requerimento para que esse projeto seja examinado pela Comissão de Assuntos Econômicos, como todos os demais projetos do funcionalismo foram. Por que o projetos dos ministros do Supremo e do procurador-geral da República tem um status especial? ”, questionou o líder em entrevista ao Estado, na véspera da discussão do requerimento.

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