Wilton Júnior/ Estadão
Wilton Júnior/ Estadão

Operação já reduziu os índices de criminalidade, diz Temer

Presidente não citou dados de violência após participar de reunião com o comando da ação militar

Carla Araújo, Tânia Monteiro e Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2017 | 14h02

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer foi ao Rio de Janeiro na tarde deste domingo, 30, para acompanhar a atuação das Forças Armadas no Estado. O presidente participou de reunião sobre as operações das equipes federais, fez uma breve declaração à imprensa e um sobrevoo na cidade antes de voltar à Brasília para reunião com ministros às vésperas da votação da denúncia na Câmara.

Em breve pronunciamento, Temer afirmou, sem citar dados, que o reforço da segurança pública no Rio já reduziu os índices de criminalidade. As tropas começaram a atuar na região metropolitana do Rio na última sexta-feira, 28.

"Acabei de receber um relato muito pormenorizado do que está sendo feito. E a primeira conclusão que se tem é que já diminuiu nesses dois ou três dias enormemente os índices de criminalidade, especialmente o roubo de cargas", disse Temer.

Temer esteve no Rio acompanhado dos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, da Justiça, Torquato Jardim, da Defesa, Raul Jugmann, e do ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco. Ele participou de uma reunião no centro de controle da Operação "Rio Quer Segurança e Paz", no Comando Militar do Leste, na região central da capital.

A operação mobiliza 8,5 mil militares em ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Estado do Rio até o fim de 2017, mas Temer defendeu que nada impede que seja prorrogada até o fim de 2018, "quiçá" por anos subsequentes. "Essa é uma primeira fase que será sequenciada por várias fases", declarou. "Estamos planejando isso há bastante tempo". A operação mira o combate ao tráfico de armas, tráfico de drogas e organizações criminosas.

Segundo o presidente, a violência no Rio preocupa não apenas aos cariocas, mas a todos os brasileiros, em especial ao governo federal. Temer contou que, nos últimos cinco ou seis meses, foram realizadas seguidas reuniões do governo em Brasília para tratar do tema segurança pública e da integração dos setores de inteligência das Forças Armadas e Polícias Federal, Civil e Militar.

Integravam a comitiva do presidente o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ), o prefeito Marcelo Crivella (PRB-RJ), o secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Sá, e o General Walter Souza Braga Netto, que está à frente do Comando Militar do Leste (CML).

A visita ao Rio foi rápida: depois do sobrevoo, Temer retorna a Brasília.  Às vésperas da votação na Câmara, Temer mantém sua rotina diária de encontros com aliados para derrubar a denúncia de corrupção passiva contra ele. Neste domingo, Temer deve reunir ministros e deputados de sua base de apoio para tratar dos acertos finais na estratégia adotada para engavetar o processo. O encontro será no Palácio do Jaburu, onde, neste sábado, Temer recebeu o senador Aécio Neves e ministros tucanos.

Denúncia. Na reunião deste domingo, o governo deve fazer um balanço dos votos e traçar novas ações para ampliar o número de deputados contrários à denúncia. Nos últimos meses, Temer tem se dedicado a atrair aliados e a convencer indecisos a ficarem de seu lado. Ele precisa de 172 votos para descartar a denúncia. Como o Estadão mostra na edição deste domingo, nessa corrida, Temer já recebeu 160 deputados e senadores e liberou R$ 4,1 bilhões em emendas parlamentares.

Apesar de afirmar que já tem os votos necessários a favor de Temer, a estratégia do Palácio do Planalto ainda inclui exonerar todos os ministros com mandato de deputado federal para que retornem à Câmara e votem pelo arquivamento da denúncia. Ao todo, 12 ministros poderão se licenciar dos cargos para ajudar o presidente na votação. 

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