Beto Barata/PR
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Temer evita responder sobre Padilha em entrevista em São Paulo

Questionado se as novas delações complicam a situação do ministro da Casa Civil e do PMDB, presidente se afastou, passando o microfone para o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE)

José Maria Tomazela, correspondente, O Estado de S.Paulo

24 Março 2017 | 18h08

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - O presidente Michel Temer (PMDB) se irritou na manhã desta sexta-feira, 24, ao ser questionado sobre as delações de ex-executivos da Odebrecht, em São José do Rio Preto (SP). Enquanto falava sobre a recuperação da credibilidade do País, Temer foi interrompido pela pergunta de uma jornalista. “Você me dá licença para terminar meu raciocínio? Falamos disso depois.”

Logo depois, entretanto, questionado se as novas delações complicam a situação do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e do PMDB, Temer virou-se e se afastou, passando o microfone para o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE). O ex-executivo da Odebrecht José de Carvalho Filho deu detalhes de pagamentos de R$ 4 milhões ao PMDB durante a campanha eleitoral de 2014.

No discurso para cerca de 4 mil beneficiados, durante a entrega de casas populares, Temer já havia se incomodado com algumas pessoas que gritavam “golpista” e se manifestavam contra a reforma da Previdência. “Carrasco, está restaurando a escravidão no Brasil”, gritou um dos manifestantes.

Parte do público também vaiou quando Temer chegou ao local do evento, principalmente em razão do atraso. As famílias esperavam sob calor intenso desde as 8 horas pela entrega das chaves, só iniciada às 11h45. O presidente iniciou o discurso avisando sobre um sorteio da mobília para quatro casas do núcleo. “Entramos numa casa e, depois que entregamos a chave, a senhora chorou por ver que a casa estava mobiliada.”

Após citar a parceria com o governo estadual, que custeou 10% das casas, Temer pediu aplausos para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), também presente ao evento. “O Brasil aplaude o governador Geraldo Alckmin.” O governador tem se apresentado como possível pré-candidato à Presidência da República em 2018. Temer também e anunciou R$ 87 milhões para a duplicação da rodovia Transbrasiliana, pleito regional.

Carne Fraca 

O presidente defendeu a carne brasileira, cuja qualidade está sendo questionada após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que flagrou irregularidades na fiscalização de frigoríficos. “A carne brasileira é a melhor carne do mundo, não é fraca." O presidente também disse que o ministro Aloysio Nunes, das Relações Exteriores, presente ao evento, pegou o problema pouco depois de assumir a pasta e está trabalhando com o ministro Blairo Maggi (da Agricultura) para estancar a restrição à carne brasileira. "Vendemos para 150 países e a Coreia do Sul, que era grande compradora nossa, suspendeu mas já voltou a comprar a carne brasileira.”

Na única alusão, de forma indireta, à reforma da Previdência, que muda as regras para a aposentadoria da população, excluindo os servidores públicos estaduais e municipais, ele disse que tem se esforçado para acolher as postulações sociais, mas precisa restaurar as contas públicas.

Temer citou os resultados das últimas concessões na área de infraestrutura como prova dessa confiança. “Quatro aeroportos e um porto foram concedidos com ágio extraordinário. As pessoas só investem no Brasil quando o país vai bem. Alguém disse, Temer, você precisa de muitas orações. Peço que rezem por mim e pelo Brasil, porque o que estamos fazendo é pelo bem do Brasil.”

Temer foi a Rio Preto inaugurar o Parque Solidariedade com 1,3 mil casas da segunda fase do Minha Casa Minha Vida. O obra foi iniciada e quase concluída no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). As obras pararam durante o processo de impeachment de Dilma. Cada casa com 46 m2, avaliada em R$ 81 mil, vai custar ao morador de R$ 25 a R$ 90 por mês durante 25 anos. O investimento é de R$ 111,8 milhões, dos quais R$ 13 milhões do governo estadual. Um grupo de manifestantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Sem-Terra (MST) que protestava contra as reformas e pediam “fora Temer” foi mantido à distância pelo forte aparato policial. (José Maria Tomazela, enviado especial)

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