Werther Santana/AE
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Temer evita comentar posição do PMDB sobre CPI do caso Cachoeira

PMDB quer conduzir rumos da comissão para mostrar ao PT que denúncias podem respingar no governo

Ricardo Chapola, estadão.com.br

18 de abril de 2012 | 15h30

SÃO PAULO - O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), evitou comentar nesta quarta-feira, 18, sobre a posição do PMDB, principal partido da base aliada, diante da instalação da CPI do caso Cachoeira, defendida pelo PT com intenção de evitar uma suposta "operação abafa". O PMDB quer mostrar que, uma vez instalada, as investigações podem alcançar o alto escalão do governo de Dilma Rousseff devido ao próprio voluntarismo do PT.

"Eu não acho nada. Isso é uma questão do Congresso Nacional. O Congresso decidiu, o Congresso está levando adiante e o Congresso terá a palavra final", disse o vice-presidente. Temer ponderou também ao afirmar que o governo não tomou partido na história, com o cuidado de manter a boa relação do Executivo com o parlamento.

Durante visita ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para se recuperar de uma angioplastia, Temer afirmou que o senador também preferiu não opinar sobre o assunto, embora tenha admitido que conversaram a respeito da CPI. "Se a CPI se instalar, ela deve agir com muita sobriedade, e fazer aquilo que cabe à comissão: apurar fatos com muita tranquilidade, com muita isenção. Sem transformá-la num local de discussões políticas, mas de investigação".

O vice-presidente julgou que apenas a relação de Cachoeira com o senador Demóstenes Torres mobiliza uma investigação, não entrando nos méritos das denúncias que giram em torno da empresa Delta, principal empreiteira do PAC, e de nomes de outras autoridades públicas. "Existe um fato determinado. A questão da relação Cachoeira com o senador (Demóstenes) e que é a mobilizadora da CPI. Mas CPI é sempre assim: ela começa com um fato determinado e depois, de alguma maneira, se indetermina".

Bastidores. O PMDB acenou que vai esperar para ver o PT chegar ao auge do desgaste com a presidente, para assim aparecer como o "salvador da Pátria". "Essa pode ser a CPI mais sangrenta da História", disse o presidente do PMDB, senador Waldir Raupp (RO). "Nós não queríamos a CPI. O PT insistiu em fazê-la. Tudo poderia ter sido resolvido pelas investigações da Polícia Federal e Ministério Público". Raupp disse que na CPI o comportamento do PMDB será o de "um partido que tem juízo". Em entrevista à rádio Estadão/ESPN, o presidente do partido afirmou que CPI vai "além do fim do mundo".

Saúde. Acompanhado pelo ministro Garibaldi Alves, do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) e do deputado federal Henrique Eduardo Alves (RN), Temer disse que Sarney surpreendeu com sua disposição, e que estava muito bem. "Nos surpreendemos com a disposição dele. Ele está saudável, falante, participando de tudo e entusiasmado para sair logo do hospital.

A comitiva também visitou o ex-presidente Lula, presente no hospital para sessões de fonoaudiologia. No encontro, eles não conversaram sobre o caso Cachoeira.

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