Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Temer está sendo aconselhado a não divulgar extratos bancários

Nas palavras de um interlocutor, seria uma 'exposição despropositada e desnecessária'

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 19h38

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer está sendo a aconselhado a não divulgar os extratos bancários como o prometido, no calor da irritação contra o gesto do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso. O ministro decidiu quebrar o sigilo bancário do presidente sem que houvesse pedido da Procuradoria Geral da República, fazendo Temer sentir a violação do seu direito individual, princípio sagrado da Constituição. No Palácio do Planalto há uma discussão sobre isso embora a versão oficial diga que não houve qualquer mudança no posicionamento e que, tão logo os bancos onde ele tem conta lhe encaminhem os dados eles serão entregues. Mas a sensação de muitos é de que há uma arrependimento nesta iniciativa considerada apressada para dar uma resposta à atitude do ministro.

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Temer tem conta em pelo menos três bancos, sendo Banco do Brasil e Santander dois deles. O presidente, que fez o primeiro pedido diretamente ao Banco Central para ter acesso aos extratos, acabou se dirigindo, em seguida, às próprias instituições bancárias. Mas, desde então, está sendo advertido das consequências políticas disso porque seria, nas palavras de um interlocutor de Temer, “uma exposição despropositada e desnecessária”, que lembrou que a conta bancária, a maior parte das pessoas não deixa nem o cônjuge ver.

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Os que defendem que ele apresente estes extratos alegam que, certamente, quando eles tiverem chegado à Justiça, poderão vazar e haverá uma exploração política. Temer continua muito irritado com Barros e está questionando qual a base para o ministro Barroso suspender o seu sigilo. No Planalto, o discurso é de que não há motivo para esta quebra de sigilo, a não ser que a Justiça saiba de alguma coisa mirabolante, que pudesse justificar um tipo de atitude tão drástica. Por isso mesmo, a ideia, no momento, é não tocar este tema com a pressa inicial e ir medindo a temperatura e o tamanho do problema. 

Na verdade, Temer acabou ficando em uma encruzilhada. Se divulgar o extrato por conta própria, estará dando munição para os adversários esmiuçarem e usarem politicamente cada movimentação bancária sua. Não divulgar, no entanto, significará um recuo em uma promessa anunciada em nota oficial e e em declaração pelos ministros palacianos. Só que, todos sabem que mesmo não divulgando, o vazamento fatalmente acontecerá, também abrindo brecha para a explicação política.

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