Antonio Cruz|Agência Brasil
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Temer espera nome do PP ou 'notável' apadrinhado para Ministério da Agricultura

Vice-presidente tem negociado com parlamentares e dirigentes comando de pastas em eventual governo; votação do impeachment de Dilma no plenário do Senado será em 11 de maio

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2016 | 20h10

Ribeirão Preto - O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), aguarda a indicação de um nome do PP para o Ministério da Agricultura. O nome pode ser tanto de um parlamentar, ou de um "notável" do agronegócio, de preferência apadrinhado pelo partido. "Ele (Temer) vai aguardar o PP", resumiu ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, um dos interlocutores de Temer. O vice-presidente deve assumir a Presidência da República já na próxima semana, com o provável afastamento de Dilma Rousseff (PT) pelo Senado durante o processo de investigação para o impeachment da petista.

Com a indicação para a Agricultura, o PP teria dois ministérios, já que o cirurgião paulista Raul Cutait caminha para ser o ministro da Saúde.

Após encontro com Temer nesta terça-feira, 3, Nogueira confirmou que o PP ficará com o comando dos ministérios da Saúde e da Agricultura e com a presidência da Caixa Econômica Federal, caso Dilma venha a ser afastada.

Ciro deixou a vice-presidência às pressas e quando questionado se a legenda ficaria com as duas pastas e o comando do banco estatal respondeu “sim” e “também” a todas as perguntas. Segundo ele, o partido ainda procura o nome de um “notável” para ocupar a pasta da Saúde, um dos requisitos colocados por Temer. Entre os nomes cotados está o do cirurgião paulista Raul Cutait. O médico enfrenta, contudo, resistência da bancada da Câmara que defende o nome de um deputado para o posto. "O PP está dividido de Minas Gerais para cima e para baixo. A Saúde é a indicação da parte de cima", disse uma fonte.

Entre os políticos de Estados "abaixo de Minas Gerais" do PP, surgem três nomes para suceder a ministra Kátia Abreu, todos do Rio Grande do Sul: a senadora Ana Amélia, o deputado federal Luiz Carlos Heinze e o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

"Os nomes estão sendo discutidos na bancada e ainda não há nada fechado, já que a prioridade era a escolha para o Ministério da Saúde", admitiu Heinze. A senadora Ana Amélia chegou a ser consultada por representantes do partido e do setor, mas se mostrou desconfortável com a indicação, disse que respeita a ministra Kátia Abreu e que se incomodaria em ser sua sucessora.

Um dos líderes da bancada ruralista e ainda um nome com bom trânsito para pacificar os deputados do PP descontentes com a indicação e Cutait, Heinze teria como ponto desfavorável o fato de ser investigado na Operação Lava Jato. Já Turra seria uma opção tanto política quanto do setor, já que é, há algum tempo, executivo de entidades do agronegócio. O PP pode, no entanto, apadrinhar outro "notável" do agronegócio, sem filiação política.

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues trabalha nos bastidores, junto a entidades e empresários do setor, para ver seu nome como o indicado de consenso dos ruralistas. O nome de Rodrigues ganhou força como o provável apadrinhado pelo PRB, partido que optou pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e que deve indicar o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, ao cargo.

Representantes de outras entidades ruralistas tentam ainda emplacar o nome do empresário rural João Sampaio, ex-secretário da Agricultura do Estado de São Paulo. Apesar de ter ocupado o posto nos governos tucanos de José Serra e Geraldo Alckmin, Sampaio não é filiado ao PSDB, o que facilitaria o acordo. Mas para Sampaio aceitar o cargo, o convite para o ministério teria de partir do próprio Temer, o que daria ao ex-secretário paulista poder para escolher sua equipe sem interferência partidária.Pastas. 

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