Temer escala Meirelles e Jobim para evitar 'prato feito' do PT

Presidente reeleito do PMDB quer garantir espaço na elaboração do programa de governo de Dilma Roussef

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2010 | 21h50

O PMDB iniciou nesta segunda-feira, 8, uma ofensiva para se contrapor ao PT e garantir espaço na elaboração do programa de governo da candidata Dilma Rousseff. Reeleito presidente nacional do PMDB, o deputado Michel Temer (SP) chamou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para barrar a consolidação do programa petista.    

 

Veja também:

linkDilma parabeniza reeleição de Temer no PMDB

linkAla oposicionista do PMDB avisa que insistirá em reverter quadro pró-PT

 

O motivo da pressa do presidente do PMDB em escalar o time que vai formular o plano foi a notícia de que o programa da candidata petista e ministra da Casa Civil já está pronto. Como o documento será discutido no Congresso do PT, que oficializará a candidatura Dilma no dia 18, em Brasília, Temer agiu para deixar claro que não aceitará "prato feito".

 

Em telefonema ao vice-presidente do PT e assessor do Planalto, Marco Aurélio Garcia, Temer avisou que seu partido também terá um plano de governo e que a aliança se dará a partir da fusão dos programas.

 

"O PT não vai impor nada; vamos trabalhar juntos", disse Marco Aurélio a Temer, segundo o próprio deputado confidenciou a um interlocutor. "O que está acontecendo é que estão fazendo diretrizes, para depois conversarmos em conjunto", explicou o assessor especial de Lula ao também presidente da Câmara.

 

O documento petista, intitulado 'A Grande Transformação', defende a maior presença do Estado na economia, com fortalecimento das empresas estatais e das políticas de crédito dos bancos públicos federais para o setor produtivo.

 

Embora uma ala expressiva do PMDB tenha viés nacionalista e se identifique com a ideia do reforço do papel do Estado, o cenário aponta para um intenso debate entre petistas e peemedebistas.

 

Meirelles, vez ou outra alvo de setores do PT, que o criticam na condução do BC, aceitou o convite para traçar as linhas econômicas do plano do PMDB, mas não será o único a cuidar deste assunto. Temer também quer a colaboração do ex-ministro e ex-deputado Delfim Netto. O grupo de trabalho contará, ainda, com a colaboração do ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, e do diretor de Loterias, da Caixa Econômica Federal (CEF), Moreira Franco.

 

A articulação em torno do programa de governo do PMDB tem apoio do grupo de defende a candidatura própria na corrida sucessória e da ala que prefere uma aliança com o candidato tucano ao Planalto e governador de São Paulo, José Serra. "Seja qual for o projeto de poder do partido, o PMDB precisará ter seu plano de governo", explica Temer. Defensor da parceria com o PT, ele alerta que uma boa aliança, no "presidencialismo de coalizão", se faz com a formulação conjunta do programa que os aliados executarão no futuro governo. O PMDB entende que o ponto de partida para o planejamento conjunto serão os esboços de programa que cada partido aliado deverá levar à mesa da aliança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.