Temer e Wagner Rossi buscam controle do PMDB paulista

Com a disputa foi adiantada com o falecimento de Quércia na última sexta-feira, 24, Rossi, apadrinhado de Temer, já vem falando como candidato

Gustavo Porto / RIBEIRÃO PRETO, Agência Estado

27 de dezembro de 2010 | 17h54

O grupo político do vice-presidente eleito Michel Temer e do ministro da Agricultura, Wagner Rossi, busca o controle do PMDB paulista após a morte do ex-governador e presidente estadual da legenda, Orestes Quércia. Filho do ministro e deputado estadual reeleito, Baleia Rossi (PMDB) já pretendia enfrentar a ala quercista na eleição para a presidência do partido prevista para o final de 2011. Como a disputa foi adiantada com o falecimento de Quércia na última sexta-feira (24), Rossi, apadrinhado de Temer, já vem falando como candidato.

 

A expectativa é que o presidente exercício do PMDB paulista, o deputado estadual Jorge Caruso, convoque eleições para a presidência da legenda em São Paulo até fevereiro. Caruso foi derrotado por Quércia nas últimas eleições para a presidência do PMDB paulista e, assim como Temer e Rossi, apoiou Dilma Rousseff (PT) nas eleições presidenciais deste ano. A ala quercista, porém, apoiou os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, a presidente e a governador, respectivamente.

 

Baleia Rossi já adota o discurso pacificador, pregando a união das duas correntes do partido e a abertura do PMDB para novos filiados. "Nos últimos tempos, o partido esteve aberto apenas de dentro para fora. A intenção democratizar o PMDB para fazê-lo forte novamente em São Paulo", disse o deputado. Ainda em janeiro, o parlamentar espera conversar com o prefeito de Araraquara, Marcelo Barbieri (PMDB), em busca do apoio para sua candidatura e da pacificação do partido.

 

Barbieri, considerado herdeiro político de Quércia, defende a permanência de Caruso na presidência do PMDB. "Acho que o Baleia tem capacidade, mas pode esperar mais um ano. É importante a permanência do Caruso na presidência para que o PMDB inicie as discussões políticas para 2012, quando teremos as eleições municipais", disse Barbieri à Agência Estado.

 

Quem não gostou da movimentação de Temer e seus aliados foi o prefeito de Barueri, Rubens Furlan, que ameaça deixar o partido caso o grupo de Temer assuma o comando do PMDB. "Espero que o nosso partido permaneça com os mesmos princípios que o nortearam aqui em São Paulo; o que eu posso adiantar é que se o PMDB passar a ser comandado pelo deputado e vice-presidente eleito Michel Temer, deixo o partido", informou Furlan por meio de sua assessoria de imprensa.

 

A declaração de Furlan foi rebatida com ironia por Baleia Rossi. O parlamentar lembrou que o prefeito de Barueri é pai de Bruna Furlan, deputada federal mais votada do PSDB no Estado, com mais de 270 mil votos, atrás apenas de Tiririca (PR) e de Gabriel Chalita (PSB) nas eleições de 2010. "Acho que ele (Rubens) fala em sair porque já tem partido para ir", concluiu.

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