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Temer é recebido com vaias e aplausos no desfile do Sete de setembro em Brasília

Governo anuncia apuração para identificar manifestantes contrários ao presidente que estavam em arquibancada reservada a servidores

Tânia Monteiro, Isabela Bonfim e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2016 | 09h12

BRASÍLIA - No primeiro desfile de 7 de Setembro após assumir efetivamente o cargo, nesta quarta-feira, o presidente Michel Temer foi alvo de vaias vindas da arquibancada instalada quase em frente ao palanque presidencial, ocupada por funcionários do Palácio do Planalto e seus convidados. Apesar dos protestos e gritos de “Fora, Temer”, o presidente também foi aplaudido por simpatizantes ao seu governo, que gritavam “Brasil pra frente, Temer presidente” e “nossa bandeira jamais será vermelha”.

As manifestações causaram constrangimento e levaram o governo a anunciar uma “apuração”. Apesar disso, ministros do governo Temer minimizaram os atos contrários ao novo presidente. “Quantas pessoas estavam aqui e quantas protestaram?”, disse o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

O presidente assistiu ao desfile ao lado da mulher, a primeira-dama Marcela Temer, e do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. Também estavam no palanque presidencial os ministros Padilha, Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), Alexandre de Moraes (Justiça), Mendonça Filho (Educação), Bruno Araújo (Cidades) e Ricardo Barros (Saúde), além do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não participou do evento.

Os 3 mil convites das chamadas “arquibancadas vips” foram distribuídos a funcionários do Planalto, que indicaram a quantidade que desejavam receber. Seus nomes ficam registrados na diretoria de eventos da Secretaria de Comunicação da Presidência e, agora, o governo pretende fazer uma verificação.

O Palácio do Planalto quer saber quem foram os servidores que pegaram os convites para a arquibancada verde – de onde vieram as vaias – e em quais setores estão lotados na Presidência. O governo diz que há funcionários ligados às gestões do PT, apesar de já ter feito mudanças em vários ministérios.

Embora, oficialmente, a Secom, responsável pela distribuição dos convites, diga que não há interesse em identificar pessoas, interlocutores do presidente informaram que a averiguação poderá se transformar em sindicância.

Os protestos mais fortes ocorreram em pelo menos quatro momentos no desfile de Brasília – dois na chegada de Temer e dois no fim. O presidente acenou para os manifestantes.

Restrições. O público que acompanhou o desfile foi proibido de entrar nas arquibancadas com cartazes, adesivos e faixas de protesto contra Temer. “O segurança disse: ‘Ou tira o adesivo, ou vai embora’”, afirmou o estudante universitário Lucas Piovesan, que assistiu ao evento na arquibancada restrita. Um homem teve de deixar o local porque usava um adesivo contra Temer na camiseta.

Piovesan, de 20 anos, disse que viajou de São Paulo para uma semana de estudos na Escola da Administração Fazendária (Esaf). Ele é estudante de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP) e afirmou que estava acompanhado de um grupo de 90 universitários, nem todos presentes no desfile. “Recebemos os convites do professor.”

Sem faixa. O presidente Michel Temer tentou evitar ao máximo exposição durante o desfile do 7 de Setembro. Desistiu de usar o Rolls-Royce aberto para chegar ao desfile e não usou a faixa presidencial durante a cerimônia. Rompendo o protocolo, Temer, pela primeira vez, também não passou as tropas em revista, cerimônia que costuma anteceder o desfile cívico militar, na Esplanada dos Ministérios. Temer preferiu chegar direto ao palanque presidencial, em carro fechado, sem parar no caminho, a fim de evitar eventual protesto.

Estava acompanhado da primeira-dama, Marcela. O filho do casal, Michelzinho, de 7 anos, não foi ao desfile. Outros convidados, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), levaram os filhos. 

Ao contrário do que se esperava, o presidente não apareceu usando a faixa presidencial com o broche de ouro e diamante que a adorna. A faixa virou polêmica, no mês passado, quando a joia teria desaparecido e, depois, reaparecido, embaixo de um armário.

'Ajuste'. Um interlocutor do presidente informou que, com a viagem a China logo após a posse no Congresso, Temer não teve tempo de experimentar a faixa para ajustá-la ao seu corpo. Temer tem tido cuidado com os símbolos que envolvem a Presidência. Ele ainda não tirou a foto oficial, que é colocada em todos os gabinetes no Planalto, assim como mantém o hábito da interinidade de despachar na mesa redonda no gabinete, para não se sentar na cadeira de despachos, antes ocupada por Dilma Rousseff.

Atletas. O ginasta Arthur Nori, medalhista de bronze da Olimpíada Rio 2016, participou do grupo de abertura do desfile na Esplanada dos Ministérios. Na sequência, um grupo de atletas militares, integrantes do programa de atletas de alto rendimento das Forças Armadas, também desfilou no evento.

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