Beto Barata/PR
Beto Barata/PR

Temer e Putin citam combate à corrupção

Em declaração bilateral, presidentes do Brasil e da Rússia prometem cooperação; peemedebista evita imprensa em dia de denúncia de Lúcio Funaro

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2017 | 22h48

MOSCOU - Ao fim da primeira viagem oficial de Michel Temer a Moscou como chefe de Estado, os governos da Rússia e do Brasil prometeram cooperar na luta contra a corrupção. Na declaração firmada após a reunião bilateral realizada nesta quarta-feira, 21, no Kremlin, sede do poder na Rússia, Temer e Vladimir Putin pediram respeito à soberania dos países e sistemas jurídicos “despolitizados”. Ao encerrar a agenda oficial na capital russa, o governante brasileiro não falou com a imprensa.

Entre os 35 objetivos destacados na declaração bilateral, um foi especialmente dedicado ao tema da corrupção. “A Rússia e o Brasil apoiam a intensificação dos esforços internacionais na área do combate à corrupção, no contexto do papel central desempenhado pelas Nações Unidas, sobretudo no âmbito da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Uncac)”, diz o texto. “Os dois países entendem que a cooperação anticorrupção deve ter como objetivo a obtenção de resultados concretos.”

Em ambos os países, entre outros casos de irregularidades, há suspeitas de desvios de verbas e de superfaturamento de obras públicas para a realização de grandes eventos esportivos. Assim como ocorreu no Brasil em 2014, a Rússia vai ser sede da Copa do Mundo no próximo ano.

O documento pede que a cooperação internacional ocorra no respeito à autonomia dos países e com base em sistemas jurídicos nacionais “despolitizados”. “Essa cooperação, baseada no respeito dos sistemas jurídicos nacionais, deve ser despolitizada e isenta de pressão sobre países soberanos”, afirmam os líderes no texto.

Rússia e Brasil reiteraram ainda o potencial de cooperação anticorrupção no âmbito do Brics (conjunto de países composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do grupo de trabalho para o assunto no interior do G-20.

Funaro. Sem falar com os jornalistas brasileiros em nenhum momento do dia, Temer não pôde ser questionado sobre as acusações feitas pelo corretor Lúcio Bolonha Funaro à Polícia Federal de que o presidente teria coordenado a distribuição de R$ 20 milhões em propinas, em um esquema que também envolveria o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

A agenda de Temer desta quarta foi toda ocupada por eventos no Kremlin. Primeiramente, o presidente teve um encontro bilateral com o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, e em seguida com Putin. Nos dois encontros, Temer reiterou que o Brasil está retomando o crescimento. Ele afirmou que o governo equilibrou a inflação e os juros continuarão a cair.

Em um pronunciamento no fim da reunião, Putin ressaltou a importância da cooperação bilateral, chamando o Brasil de “um dos parceiros-chave da Rússia”. “Apesar de uma certa queda nas trocas bilaterais no ano passado, nós conseguimos reverter o quadro no primeiro semestre deste ano”, afirmou o presidente russo, lembrando ainda investimentos de empresas do setor energético, como Gazprom, no Brasil. Putin disse ainda que discutirá com o governo brasileiro a participação de empresas russas na concessão de trechos da Ferrovia Norte-Sul.

Reformas. Temer respondeu reiterando o compromisso de seu governo com as reformas – sem mencionar a rejeição do relatório da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado na terça-feira, 20. “Tal como a Rússia, o Brasil está voltando a crescer. Tal como a Rússia, o Brasil reconquistou o controle sobre a inflação. Agora, devemos nos aproximar cada vez mais. Esse é o sentido dos acordos hoje firmados”, disse.

Na reunião, os dois governos também celebraram acordos de combate às fraudes aduaneiras, para ampliar a segurança e facilitar o abastecimento do comércio, de intercâmbio e assistência mútua no sistema de preferências tarifárias, e um memorando de intenções para incentivar o crescimento do intercâmbio comercial e de investimentos, incluindo a eliminação de barreiras. O objetivo é aprofundar a parceria estratégica entre os países firmada em 2002. 

Tudo o que sabemos sobre:
corrupção

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.