Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Temer quer acelerar julgamento do impeachment para viajar para a China; aliados resistem

Embora governo esteja preocupado com a decisão do presidente do STF, Ricardo Lewandowski, em deixar a votação final sobre o impeachment para a manhã da quarta-feira, 31, senadores insistem em usar tempo máximo para falar

Tânia Monteiro, Carla Araújo, Igor Gadelha e Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2016 | 11h57

BRASÍLIA - Atentos ao desenrolar do dia desta terça-feira, 30 e apesar de dizerem que o governo não está interferindo na votação do impeachment, o presidente em exercício Michel Temer e os ministros do Planalto darão prosseguimento ao trabalho de monitoramento dos votos dos senadores. O governo está preocupado com a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, em deixar a votação final para a manhã da quarta-feira, 31. Os senadores aliados de Temer, no entanto, têm resistido à ideia de abrir mão de discursar na sessão desta terça.

A avaliação é que a nova data poderá atrapalhar e atrasar ainda mais os planos do governo e de Temer, que tinha previsto, já em um cenário de primeiro adiamento, viajar na tarde de quarta-feira, no máximo até às 16 horas, para poder chegar a tempo de participar das agendas na China. Mas se apenas a votação ficar para quarta-feira, como quer Lewandowski, interlocutores do presidente acreditam que "ainda dá tempo", já que essa fase tende a ser mais rápida do que os debates e exposição dos senadores.

Na ofensiva do governo, Temer e seus aliados seguirão o dia em conversas para tentar convencer parlamentares da base para que eles ou falem rapidamente, já que sabem que todos querem deixar registradas as suas participações nesta sessão histórica, ou que abram mão de suas falas.

Outra investida que deve continuar acontecendo ao longo do dia é em relação à bancada de senadores do Maranhão, já que os três senadores - Roberto Rocha (PSB), Edison Lobão (PMDB) e João Alberto (PMDB) - dizem que vão votar em bloco. Temer esteve com Rocha no domingo e com Lobão na segunda-feira, 29. Ainda falta reunir-se com João Alberto, que ainda não teria chegado em Brasília. Segundo afirmou uma fonte ao Estado, um importante cargo federal na região Nordeste entrou nas negociações com o senador Rocha.

Os três parlamentares maranhenses também foram alvos de investidas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que veio a Brasília no final da semana passada justamente para tentar convencê-los a votar a favor da presidente afastada Dilma Rousseff.

Temer e seus aliados investirão ainda em outros senadores, monitorando e repassando novamente os nomes, telefonando ou chamando para cafés. Na segunda-feira, o próprio presidente em exercício falou por telefone com diversos senadores.

Resistência. Apesar do pedido do Palácio do Planalto para que desistam dos discursos para acelerar a conclusão da votação, a maioria dos senadores aliados, no entanto, pretende discursar durante a sessão desta terçaesidente afastada Dilma Rousseff desta terça-feira.

Até a publicação desta reportagem,  apenas 13 dos 66 senadores inscritos para falar já haviam discursadona tribuna do Senado. Tanto os parlamentares da base aliada de Temer quanto os da oposição usaram praticamente todos os 10 minutos a que tinham direito. Se esse ritmo se manter, faltam ainda mais de 10 horas de sessão, contando uma hora de intervalo para jantar.

Com a previsão de que a sessão adentre a madrugada, alguns senadores aliados de Dilma estão defendendo deixar o discurso de 20 senadores para esta quarta-feira, 31. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, poré, já afirmou quer acabar todos os discursos ainda na sessão atual.

Nesse cenário, a votação final do impeachment deve ficar mesmo para a manhã desta quarta-feira.

China. O Planalto ainda planeja fazer um esforço para garantir que a comitiva presidencial deixe Brasília rumo à China no final da tarde de quarta-feira. A viagem de Temer tem previsão de três paradas: na Ilha do Sal, Cabo Verde; em Praga, na República Tcheca; e em Astana, capital do Cazaquistão. O tempo de viagem estimado, que era de 33 horas, segundo assessores do presidente em exercício Temer, passou a ser de 27 e 28 horas. Com isso, caso consiga sair do Brasil até as 17 horas, chegaria a Ásia na manhã do dia 2, o que ainda possibilitaria que participasse de um seminário de empresários em Xangai.

Além do encontro com empresários, Temer pretende reunir-se com o primeiro-ministro chinês,  e fazer diversos encontros bilaterais. Para o dia 3 de setembro, por exemplo, já estão previstos encontros bilaterais com os primeiros ministros da Espanha e Itália e com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita. Há também a previsão de uma conversa com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo. A agenda principal na China, o encontro dos líderes do G-20, está marcada para os dias 4 e 5 de setembro.

Posse. Se confirmado o afastamento definitivo de Dilma, Temer terá que participar de cerimônia de posse no Congresso. O desejo do Planalto é que o evento será rápido e discreto, assim não atrapalharia os planos da viagem e ainda reforçaria o discurso de Temer que é momento de pacificar o País e que ele está assumindo o posto com base na democracia.

Os trâmites da cerimônia já estão sendo discutidos com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desde a semana passada. Renan é o encarregado de definir o rito. Os dois devem conversar, ainda nesta terça, para bater o martelo dos detalhes do provável evento desta quarta. 

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