Chico Batata/AE
Chico Batata/AE

Temer é a opção mais forte para substituir Jobim

Se Temer for mesmo efetivado na Defesa, o governo Dilma repetiria sete anos depois a solução adotada por Lula

Vera Rosa, João Domingos, Tânia Monteiro, Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2011 | 18h03

BRASÍLIA - Apesar de a presidente Dilma ter neste momento uma lista de nomes cotados para substituir na Defesa o ministro Nelson Jobim, o preferido no momento é o do vice, Michel Temer. A solução mais imediata é botar Temer para acumular a função de vice com a de ministro da Defesa.

 

Se Temer não aceitar a missão, a tendência é procurar um nome mais técnico. No caso de Temer, sobressai mais a condição de vice-presidente da República do que de ex-presidente do PMDB. Além disso, ele não pode ser demitido porque foi eleito vice na chapa de Dilma.

 

Se Temer for mesmo efetivado na Defesa, o governo Dilma repetiria sete anos depois a solução adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando teve de demitir do ministério o embaixador José Viegas. O vice José Alencar acumulou a Defesa de novembro de 2004 a março de 2006. Depois de Alencar, assumiu Waldir Pires, que teve de comandar a pasta em plena crise do caos aéreo brasileiro. Jobim assumiu em junho de 2007.

 

A decisão de demitir Nelson Jobim aconteceu depois que Dilma leu a reportagem completa da revista Piauí em que o ministro faz críticas a colegas da esplanada. Dilma pediu para falar com ele por telefone. O ministro está em Tabatinga, no Amazonas, fronteira com a Colômbia. Depois de ouvir as explicações de Jobim, Dilma foi dura e direta ao assunto: "Ou você pede para sair ou saio com você"

 

Jobim disse à revista que a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati, é "fraquinha", e que Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, "não conhece Brasília". O ministro da Defesa considerou o governo Dilma "atrapalhado" pela maneira como, dois meses atrás, tratou da Lei de Acesso à Informação, promovendo vários recuos ao se posicionar sobre o sigilo dos documentos ultrassecretos - no final, a presidente optou por manter a proposta da Câmara, contrária ao sigilo eterno e permitindo que documentos ultrassecretos tenham sigilo de 25 anos renovado por apenas mais 25 anos. A outra proposta era favorável a renovar indefinidamente o sigilo.

 

Dilma ficou irritada com o fato de Jobim ter se encontrado nesta quarta-feira, 3, com ela e, na audiência, não ter falado sobre as críticas às ministras. Antes da audiência, no Planalto, a presidente havia recebido no Palácio da Alvorada, o assessor de Jobim, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino. Ele não falou com Dilma sobre a reportagem da Piauí.

 

No início da noite de quarta, Jobim ligou para Ideli Salvatti, falou da reportagem e disse que as palavras dele estavam "fora de contexto". Ideli foi até a presidente e fez o relato sobre o que ouvira de Jobim.

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