Temer diz ter consciência da interinidade, mas quer governar País 'intensamente'

O presidente em exercício concedeu entrevista nesta sexta-feira, 24, na qual criticou Dilma, indiretamente, pela falta de diálogo com os outros poderes e ironizou a tese de eleições diretas

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2016 | 14h51

BRASÍLIA - Em entrevista de pouco mais de uma hora a cinco jornais, o presidente em exercício, Michel Temer, disse ter consciência de sua interinidade, mas que quer governar o País "intensamente". Sem referência direta à presidente afastada, Dilma Rousseff, criticou a falta de diálogo do governo petista com os outros poderes e ironizou a ideia de Dilma querer "voltar para sair", referindo-se a uma possível vitória de Dilma no processo de impeachment seguida da proposta de novas eleições.

Em sua fala, Temer contou que marca dia a dia sua interinidade, lembrando que está no 42º dia de governo, e explicou que precisou fazer isso porque, já no fim de semana seguinte que assumiu, começaram a cobrá-lo, como se estivesse há dois anos no governo. Em seguida, disse que é sempre lembrado da interinidade e avisou que ela não traz "nenhuma amarra" para ele governar.

"Tenho consciência da interinidade e vou aguardar, respeitosamente, a decisão do Senado Federal", mas ressaltou que, neste período, fará tudo, "intensamente". "O que nós temos de fazer é governar o País. Se lá em agosto mudar, o País foi governado. Se foi melhor ou pior, a história é que vai dizer. Mas foi governado intensamente", disse.

Sem se referir à Dilma Rousseff, fez questão de ressaltar que, neste período, "modestamente, neste 40 dias, o País caminhou muito" e criticou a falta de diálogo, sugerindo que o País vinha sendo governado por uma pessoa autoritária.

"Só posso dizer que o diálogo é fundamental porque num estado democrático você tem de exercer a atividade executiva amparado pelo Legislativo. Precisa deste conjunto de forças para governar. Qualquer outra visão é uma visão autoritária. Se despreza-se o Congresso Nacional, por exemplo, ou se critica o Judiciário. Isso é uma visão antidemocrática e inconstitucional. Nós precisamos é de reconstitucionalizar o País porque certos hábitos vão tomando conta da cultura política do País e vão desprezando as instituições. E eu faço questão de dizer e fazer o contrário", avisou ele.

Temer voltou a defender que o julgamento das contas da campanha à reeleição pelo Tribunal Superior Eleitoral sejam separadas. "Fisicamente já são separadas", comentou, acrescentando que "a condenação de alguém não pode importar na condenação de outrem".

O presidente em exercício ironizou a tese de eleições diretas defendidas pelos petistas e até por Dilma. "Ela quer voltar para sair? Não é uma tese que a favoreça", comentou ele. Sobre a possibilidade de Dilma, em caso de volta, querer manter sua equipe econômica. "Seria aplauso à minha administração", observou.

Temer disse que "fala com todo mundo" e conversou com o presidente da Câmara afastado, Eduardo Cunha, há umas três semanas e assegurou que ele não o atrapalha "em nada". Sobre a presença de Waldir Maranhão no cargo de presidente interino da Casa, lembrou que ele é "um parlamentar com todos os direitos".

Para Temer, "há uma visão preconceituosa sobre a participação popular". Segundo ele, não dá para falar se o Congresso "piorou ou melhorou". "O que pode acontecer, é o voto equivocado", comentou, ressaltando que "não interfere nas questões do Legislativo".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.