Temer diz ser favorável a referendo para reforma política

Vice-presidente afirma que PMDB vai enviar ao Congresso uma proposta até o começo de 2015 e sinaliza apoio à ideia de consulta popular após a discussão dos parlamentares

Ricardo Della Coletta e João Domingos, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 15h08

Brasília - O vice-presidente Michel Temer anunciou nesta quarta-feira, 5, que o PMDB vai elaborar uma proposta de reforma política que será enviada ao Congresso Nacional até o início de 2015. Temer, que é presidente nacional do PMDB, reuniu o conselho político do partido nesta manhã, em Brasília, para tratar do tema. Segundo ele, a ideia é viabilizar a votação de uma reforma política pelo Congresso ainda no ano que vem. Temer sinalizou ser favorável a uma consulta popular que referende a decisão dos parlamentares.

A Fundação Ulysses Guimarães (FUG), ligada ao partido, será o órgão responsável por elaborar uma proposta a ser submetida ao conselho político do PMDB. Depois de avalizada pelo conselho, ela será encaminhada ao Congresso Nacional, disse o vice-presidente.

Apesar de Temer não ter adiantado quais termos o PMDB defenderia para a reforma política, as bancadas do partido no Congresso já têm posição fechada em alguns temas. Os peemedebistas apoiam o financiamento privado de campanha e rechaçam a tese encampada pelo PT de que um plebiscito deveria ser realizado antes dos debates da reforma política no Congresso, no qual a população daria as diretrizes sobre os pontos que gostaria de ver aprovados. No Congresso, as bancadas do PMDB defendem que um referendo seja realizado após as votações para que os eleitores chancelem ou não as discussões feitas pelo Legislativo.

"As bancadas serão necessariamente ouvidas", disse Temer. "Será uma conjugação de todos os esforços para termos um projeto único. Para que o PMDB tenha uma só linguagem", concluiu.

Temer também se disse favorável à realização de um referendo. "Sou a favor da consulta popular. Referendar aquilo que o Congresso fará é uma mistura da democracia representativa e a direta. Seria extremamente útil", disse.

A reforma política voltou a ser defendida pela presidente Dilma Rousseff após sua reeleição. Inicialmente, Dilma defendeu que as mudanças no sistema político fossem decididas por meio de plebiscito, ideia que encontra resistência entre parlamentares e lideranças do PMDB, a exemplo do presidente do Senado, Renan Calheiros. Diante da resistência, a petista sinalizou que o referendo poderia ser uma forma possível de consulta. Nesta quarta, ao falar sobre o assunto, a presidente que "ninguém do governo pretende ter a fórmula pronta" de como o tema será tratado.

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