Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Temer diz que suposta terceira denúncia é campanha para enfraquecer governo

Após a fala, presidente se encontrou com o advogado Antonio Mariz, que o defendeu na primeira denúncia

Renan Truffi, Daniel Weterman e Sandra Manfrini, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2018 | 16h14

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O presidente Michel Temer classificou a suposta terceira denúncia que pode ser feita pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra ele como uma "campanha oposicionista". Em entrevista à rede de televisão NBR, transmitida na manhã de sexta-feira, 4, Temer afirmou que as duas denúncias iniciais já feitas eram "tão pífias que o Congresso impediu que elas prosperassem".

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"Essa (suposta terceira denúncia) seria mais pífia, de menor dimensão que as anteriores. Há apenas uma campanha deliberada para tentar enfraquecer o governo", afirmou o presidente. No entanto, o Estadão Broadcast apurou que Michel Temer conversou nesta sexta-feira com o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, em São Paulo. 

Ao chegar para a conversa, no escritório de Temer na capital paulista, Mariz disse que iria tratar com o presidente da "situação geral" e citou o pedido da Polícia Federal. "Falam, falam em denúncia, depois falam em mais tempo para inquérito...", comentou o advogado.

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O encontro de Temer com Mariz ocorre em meio às repercussões do inquérito da Polícia Federal sobre o decreto dos portos. Questionado se seria possível tratar da deposição de um presidente cinco meses antes do fim do mandato, Temer afirmou: "Se resistimos até hoje, não seria agora, faltando cinco meses."

A Procuradoria-geral da República (PGR) deve enviar ainda na sexta ao Supremo Tribunal Federal (STF) manifestação favorável ao pedido da Polícia Federal pela prorrogação das investigações. Mariz já defendeu o emedebista na primeira denúncia da PGR, no ano passado. 

Crítica às delações 

Ainda na entrevista à NBR, o presidente afirmou que a delação premiada é o primeiro passo de um processo longo, que depois tem de ser comprovado. "A delação deveria surgir depois de uma série de fatos que autorizasse comprovação de fatos", disse.

Segundo o presidente, o delator, muitas vezes, quer se livrar de uma eventual penalidade. Numa referência à delação do executivo Joesley Batista, que o relacionou, Temer disse que o delator "criou maiores inverdades". 

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Questionado sobre se as suas críticas feitas ao vazamento de informações que ocorreu com relação a processos em andamento na Polícia Federal teriam parecido uma "intervenção" na PF, o presidente negou. "Pelo contrário. O que a PF não pode fazer é intervir por meio de vazamentos." Segundo ele, vazamentos não podem acontecer na PF e em nenhum outro setor onde processos são sigilosos.

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