Temer diz que PMDB 'não tem dono nem coronéis' em resposta a Renan

Vice-presidente afirma, em nota, que decisão da Executiva Nacional de dar a palavra final sobre filiações ao partido foi 'democrática e legítima' após senador chamar de 'um horror' resolução aprovada sobre o tema

RICARDO BRITO, O ESTADO DE S.PAULO

16 de dezembro de 2015 | 17h51

BRASÍLIA - O presidente do PMDB e vice-presidente, Michel Temer, rebateu, nesta quarta-feira, 16, as críticas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que classificou como um "horror" e um "retrocesso democrático" a resolução aprovada hoje pela Executiva Nacional determinando que todas as filiações de deputados terão de passar pelo aval do comando da sigla.

Renan dissera que Temer tem, como presidente do partido, culpa neste processo que aumentará a divisão da bancada. "É correta a afirmação de que o PMDB não tem dono. Nem coronéis. Por isso, suas decisões são baseadas no voto. O resultado apurado na reunião de hoje da Executiva foi de 15 votos a favor da resolução e dois contrários, resultado revelador de ampla maioria. Decisão, portanto, democrática e legítima", afirmou o vice-presidente, em nota.

Michel Temer destacou que a Comissão da Executiva Nacional do partido é o órgão colegiado com plena competência para tomar decisões que preservem o "partido de manobras e artimanhas que quebrem artificialmente a vontade expressa legitimamente pelas suas instâncias internas".

"Neste momento, os disputantes da Liderança na Câmara dos Deputados buscavam filiar deputados transitórios apenas para assinarem lista de apoio. Isto fragilizaria o PMDB. Por isso, a decisão da Executiva de evitar tais procedimentos", disse Temer, referindo-se à disputa entre o atual líder, Leonardo Quintão (MG), e o destituído, Leonardo Picciani (RJ).

Assim como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do PMDB articulou a derrubada de Picciani do cargo. O ex-líder dos peemedebistas havia indicado somente deputados pró-governo na Comissão Especial da Câmara que discutiria o impeachment. 

Contudo, uma ação de bastidores de Cunha e Temer levou à aprovação de uma chapa avulsa com deputados mais favoráveis ao impedimento de Dilma e também para retirar Picciani da liderança.

Ulysses. Na nota, Temer rebateu a ironia feita por Renan de que o ex-presidente da Câmara Ulysses Guimarães (PMDB) estaria tremendo na cova pela decisão de submeter novas filiações à cúpula do partido.

"O deputado Ulysses Guimarães foi a maior liderança do PMDB. Qualquer jovem peemedebista sabe que seu desaparecimento se deu em um acidente em Angra dos Reis, em 1992. Seu corpo repousa no fundo do mar e devemos manter o respeito à sua história e sua memória, sem evocar seu nome em discussões que em nada enobrecem seu exemplo de retidão, honestidade e decência para todo o PMDB", cutucou.

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