Temer diz que negociar cargos é desmoralizante para PMDB

O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), acusou o governo federal de adotar as mesmas táticas de negociação usadas no primeiro mandato - de trocar cargos por apoio, sem tentar um acordo formal com a legenda -, deixando insatisfeitas algumas lideranças do PMDB.Segundo Temer, a estratégia de procurar isoladamente os líderes do PMDB pode levar, inclusive, a um racha interno na legenda, o que impedirá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de concretizar o objetivo de ter todo o partido na sua base de apoio."Eu acho que o governo está fazendo tudo errado, de novo. O presidente Lula disse que trataria com o partido como um todo, mas até agora só tem procurado alguns integrantes, isoladamente e, mesmo assim, na base da troca de cargos por apoio. Isso é desmoralizante para o partido", disse Temer, em entrevista à Agência Estado.Ainda segundo o presidente do PMDB, a tendência da maioria do partido é de dar apoio ao governo, mas a forma como esse suporte está sendo negociado pode levar a legenda, mais uma vez, a uma racha interna no Congresso. "Sinto que não vai haver unidade e, na verdade, já vejo que o partido está desunido. Estou começando a achar que teremos mais um racha", disse, lembrando que os senadores Pedro Simon (RS), Mão Santa (PI) e Almeida Lima (SE) já são contra o apoio integral ao governo.O senador recém-eleito Jarbas Vasconcelos, que governou Pernambuco por oito anos, também já manifestou sua contrariedade à adesão em bloco. "Ele me disse que é contra a adesão", informou Temer.O presidente da sigla, no entanto, mantém a disposição de ouvir o partido para fechar uma definição. Essa semana, por exemplo, os governadores devem fechar uma posição em reunião que ocorrerá em Santa Catarina. "Quero ouvir todos os membros do partido, mas a forma como o governo vem conduzindo o processo já causa insatisfação", conclui.

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