Andressa Anholete/AFP
Andressa Anholete/AFP

Temer diz que não teve ‘tempo’ para assistir à defesa

Presidente em exercício alega que estava ‘trabalhando’ durante fala de Dilma; secretaria do governo interino solta nota contra críticas

Tânia Monteiro, Rachel Gamarski e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2016 | 01h03

BRASÍLIA - Convencido de que o discurso de defesa da presidente afastada Dilma Rousseff feito nesta segunda-feira, 29, no Senado não vai alterar o resultado do impeachment, o presidente em exercício Michel Temer afirmou que “não teve tempo” para assistir à defesa da petista, “porque estava trabalhando”. No início da noite, no entanto, o Palácio do Planalto emitiu uma nota em resposta a críticas de senadores e da petista feitas durante a sessão.

Temer passou a manhã no Palácio do Jaburu, sua residência oficial, ao lado do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil). Recebeu o ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, e o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Aroldo Cedraz, para tratar do Orçamento que será enviado ao Congresso nesta quarta-feira, 31.

No início da tarde, seguiu para o Planalto, onde recepcionou 60 atletas da Olimpíada, e permaneceu em seu gabinete para “despachos internos”. Ao fim da cerimônia, Temer se limitou a dizer que aguarda a conclusão do processo de impeachment com “absoluta tranquilidade”.

Certo de que a sessão para a votação final atrasará o seu embarque para a China, o peemedebista remarcou a viagem ao país asiático para o início da tarde de amanhã. Ele pretende participar da reunião do G-20.

O governo mantém a expectativa de um placar mínimo de 59 votos a favor do impeachment, apesar de Padilha ter afirmado que esperava, no mínimo, 61 apoios ao afastamento definitivo de Dilma. Mas, de forma otimista, ainda há cálculos de que se chegue a 63 votos.

A ideia de Temer, caso o afastamento seja aprovado, é tomar posse na manhã desta quarta-feira, gravar um breve pronunciamento à Nação para ser exibido em cadeia de rádio e TV à noite e viajar logo depois do almoço.

Resposta. Apesar de tentar demonstrar que estava alheio aos acontecimentos do outro lado da rua, Temer mandou sua assessoria responder às críticas que recebeu não só de Dilma, mas de senadores oposicionistas, que acusavam seu governo de planejar acabar com programas sociais e reduzir benefícios dos trabalhadores.

“Não é verdade que se debata a estipulação de idade mínima de 70 ou 75 anos aos aposentados; não será extinto o auxílio-doença; não será regulamentado o trabalho escravo; não há privatização do pré-sal e não se cogita revogar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)”, informou o governo na nota.

Na avaliação de interlocutores do presidente em exercício, o discurso de Dilma “foi fraco politicamente”, ela “não passou a emoção que prometeu” e “não muda nada no placar”. Os auxiliares de Temer estão convencidos de que os votos computados anteriormente estão “totalmente preservados”.

Para auxiliares do peemedebista, a petista queria fazer um discurso “para a história” e para ficar registrado nos “inúmeros documentários que estão sendo feitos” sobre a vida dela.

O cientista político e consultor de Temer, Gaudêncio Torquato, classificou o discurso de Dilma como “uma novela sem fim”. “Ela só responde o que quer.” Segundo Torquato, a petista dá a impressão de que fez a “lição de casa”, mas já fala “pensando no dia seguinte”.

Pronunciamento. Temer não deve alterar o teor do pronunciamento que pretende fazer à Nação, caso seja efetivado no cargo. Ele vai se apresentar ao País e tentará mostrar disposição para tirar o Brasil da crise e colocá-lo “nos trilhos”. Temer vai fazer ainda um aceno ao mercado financeiro, destacará a necessidade de reformas e pedirá a pacificação nacional.

Segundo o marqueteiro do PMDB, Elsinho Mouco, o presidente em exercício não usará a faixa presidencial na gravação. Temer deve abordar também o que fez no período de interinidade, como o reajuste no programa Bolsa Família.

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