Evaristo Sa/AFP
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Temer diz que não se pode 'manter o silêncio' sobre suspeição de Janot

Na China, presidente também comentou devolução da delação de Funaro à PGR, por decisão de Fachin: 'Deve haver algum equívoco'

Claudia Trevisan, enviada especial, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 05h53

PEQUIM - O presidente Michel Temer disse nesta quinta-feira, 31, que seu advogado “certamente tomará providências” contra a decisão do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, de recusar seu pedido de suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Entre os possíveis caminhos, ele mencionou a apresentação de um agravo ao plenário da corte.

Perguntado sobre como havia recebido a derrota, o presidente respondeu “com naturalidade, né?”. As declarações foram dadas por Temer depois de sua chegada a Pequim, onde será recebido em visita de Estado pelo presidente Xi Jinping nesta sexta-feira, 1º de setembro.

Janot se prepara para apresentar a segunda denúncia contra Temer com base na delação dos proprietários da JBS - o presidente deverá ser acusado de obstrução de Justiça e participação em organização criminosa. O procurador denunciou Temer por corrupção passiva em junho, mas o plenário da Câmara dos Deputados não deu autorização para o STF abrir um processo sobre o caso.

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O pedido de suspeição era uma das principais estratégias da defesa do presidente. Na China, ele disse que sua intenção não era desqualificar o seu acusador. “Você sabe que no plano jurídico, quando alguém começa a agir suspeitamente, você tem de arguir a suspeição e quem decide é o Judiciário”, afirmou. “O que não se pode é manter o silêncio.” Segundo ele, qualquer decisão sobre eventuais recursos será tomada por seu advogado, Antônio Claudio Mariz de Oliveira.

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Temer disse que tomou conhecimento pelo noticiário da decisão de Fachin de devolver à Procuradoria-Geral da República a delação premiada de Lúcio Funaro, que deverá dar subsídios à nova denúncia de Janot contra ele. “Deve haver algum equívoco na delação. Certamente mandou esclarecer. Eu suponho até que o procurador vai esclarecer e vai devolver (ao STF). Essa coisa está no Judiciário, não é mais comigo.”

Logo que chegou a Pequim, o presidente se reuniu separadamente com representantes de quatro grandes empresas chinesas com negócios no Brasil: State Grid, Huawei, Three Gorges Corporation e HNA. Temer disse que todas manifestaram intenção de ampliar seus investimentos no país. 

Na sexta-feira, o presidente será recebido no Grande Palácio do Povo por Xi Jinping e pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. Essa é sua segunda viagem à China desde sua confirmação no cargo. A primeira foi iniciada poucas horas depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, há pouco mais de um ano. Naquela ocasião, Temer se reuniu com Xi Jinping, mas não no âmbito de uma “visita de Estado”, que é a mais elevada e elaborada no ranking das interações diplomáticas entre líderes de diferentes países.

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O presidente será recebido em cerimônia aos pés da escadaria do Grande Palácio do Povo, localizado na Praça da Paz Celestial, a poucos metros da Cidade Proibida. Xi Jinping e Temer passarão em revista as tropas antes de iniciarem seu encontro. 

No sábado, o presidente encerrará um seminário empresarial sobre oportunidades de investimentos no Brasil, no qual deverão ser assinados acordos nas áreas de energia e infraestrutura. No dia seguinte, ele viajará a Xiamen para participar de reunião de cúpula dos BRICS, grupo integrado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

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