Temer diz que não renuncia e que não comprou silêncio de ninguém

Em pronunciamento, presidente assegura que não deixará a Presidência

Carla Araujo, Tania Monteiro e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 16h33

Brasília - Visivelmente irritado e com a voz firme, gritando até em alguns momentos, o presidente Michel Temer fez há pouco um pronunciamento e disse que não vai renunciar ao cargo. “Não renunciarei. Repito: não renunciarei”, disse.

Temer afirmou ainda que não preciso de foro especial e que não tem nada a esconder. “Sempre honrei meu nome”. O presidente negou ainda que tenha autorizado que o empresário  da JBS, Joesley Batista, a comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. “Nunca autorizei que utilizassem meu nome indevidamente. Quero registrar enfaticamente que a investigação pedida pelo STF será peremptória onde surgirão todas explicações. Mostrarei que não tenho nenhum envolvimento com estes fatos”, completou.

O presidente justificou a demora em se pronunciar, pois disse que estava esperando os áudios do empresário que “até o momento não consegui”. “Ressalto que só falo agora dos fatos de ontem porque tentei conhecer primeiramente o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei oficialmente ao supremo tribunal federal acesso a estes documentos. Ate o presente momento não consegui”, disse.  

Temer não citou o nome de Joesley nem de Cunha e justificou que ouviu de “um empresário” um relato de auxilio a família do parlamentar. “Não solicitei que isso acontecesse e somente tive conhecimento deste fato nesta conversa pedida pelo empresário”, afirmou. “Em nenhum momento autorizei que pagasse a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima, exata e precisamente por que não temo nenhuma delação”, afirmou.

O presidente disse ainda que exige investigação “plena e muito rápida para esclarecimentos ao povo brasileiro”. “Não podem tardar as investigações”. “Esta situação não pode persistir por muito tempo. Não podem tardar as investigações. Tanto esforço e dificuldades superadas. Meu único compromisso é com o Brasil. Só este compromisso que me guiará”, finalizou.

Pelo Brasil. No discurso, Temer lamentou o fato das denúncias envolvendo seu nome surgirem em um momento em que o país começa a se recuperar economicamente. “Quero deixar muito claro que dizer que meu governo viveu nesta semana seu melhor e pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno crescimento da economia e dados de geração de emprego criaram esperança de dias melhores. Otimismo retornava e as reformas avançavam no Congresso”, disse. “Ontem, contudo, a revelação de conversas gravadas clandestinamente trouxe fantasmas de crise politica de proporção ainda não dimensionada”, completou.

Temer disse ainda que os esforços que o seu governo fizeram não podem se tornar inuteis. “Não podemos jogar no lixo a historia de tanto trabalho”, disse.

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