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Temer diz que não demitiu ministros citados em delações da Lava Jato; 'eles pediram pra sair'

Em entrevista à Rádio Gaúcha, presidente da República afirmou que novos membros de sua equipe eventualmente mencionados em colaborações deverão pedir para sair

Gabriela Lara, correspondente e Elizabeth Lopes, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2016 | 11h44

PORTO ALEGRE - O presidente da República Michel Temer deu mostras nesta sexta-feira, 7, de que não pretende manter em sua gestão eventuais citados em delações premiadas no âmbito da Lava Jato. Em entrevista concedida à Rádio Gaúcha, o peemedebista foi indagado sobre o fatiamento dessa operação, determinado na quinta-feira, 6, pelo ministro do STF teori Zavascki, e sobre  hipótese do surgimento de novos nomes ligados ao seu governo em futuras delações, a exemplo do que ocorreu com os ex-titulares das pastas do Planejamento e Turismo, respectivamente, Romero Jucá e Henrique Eduardo Alves.

"Foi interessante. Eles próprios vieram e disseram: 'Nós não queremos continuar no governo, vamos sair'. Tenho a sensação de que, se houver alguma menção (de outros integrantes do governo no âmbito do escândalo da Petrobrás), o próprio ministro pedirá para sair", avaliou Temer. E reiterou que não afastou Jucá e Henrique Eduardo Alves, mas que foram eles que pediram para sair.

Na entrevista, Temer disse novamente que não tem "a menor intenção de interferir em matéria do Judiciário" e que "respeita solenemente" as decisões que se dão no âmbito da Lava Jato. "Quem estiver sendo investigado responderá no inquérito e numa eventual denúncia", disse. Contudo, criticou o fato de se condenar antecipadamente quem aparece nas delações: "Quando se delata a pessoa é (apontada como) condenada."

Beltrão. Na entrevista à Rádio Gaúcha, Temer voltou a defender o novo ministro do Turismo, Marx Beltrão, que tomou posse na última quarta-feira, 5. Como tem feito em declarações recentes, Temer fez questão de dizer que o alagoano não está envolvido na Operação Lava Jato e afirmou que Beltrão deverá ser absolvido do processo que responde no STF.

"Quando se fala em Marx Beltrão, não se fala em Lava Jato", afirmou o peemedebista. De acordo com o presidente, o caso em que o ministro é réu no STF se deve ao fato de a prefeitura que ele comandou ter enviado ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) algumas guias de recolhimento sem o correspondente pagamento. "Quando foram notificados eles logo recolheram", disse Temer.

O presidente se mostrou confiante quanto à possibilidade de absolvição do novo ministro. "Tudo indica que ele será absolvido no Supremo, que não haverá condenação. Nunca sabemos o que Supremo vai decidir, mas tudo indica absolvição", disse Temer, minimizando a situação. "É mais uma medida administrativa. Por isso optei por nomeá-lo, porque era uma demanda da Câmara."

Dilma.  Já no final da entrevista, um dos jornalistas disse ao presidente que, enquanto eles conversavam, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) estava andando de bicicleta pela orla do rio Guaíba, na zona sul de Porto Alegre. Ao ser perguntado como se sentia em relaçõa à ex-presidente, Temer afirmou que a respeita e a admira na esfera pessoal, mas entende, que do ponto de vista institucional, "houve equívocos" na relação com a petista. "No plano pessoal sinto todo o respeito e consideração. No plano institucional, penso que houve equívocos na relação", afirmou.

O presidente lembrou que o PMDB lançou, no fim de 2015, o documento "Uma Ponte para o Futuro", programa com propostas para a área econômica. "Propusemos várias medidas que poderiam ajudar o governo", afirmou o presidente. Segundo Temer, na época o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse a ele que havia quatro ou cinco medidas ali que deveriam ser usadas no governo mas, de acordo com o presidente, o documento acabou sendo visto como um instrumento de oposição à administração petista.

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