Temer diz que mensalão terá 'impacto zero' em 2014

Vice-presidente esteve em Porto Alegre nesta quinta-feira e previu que aprovação da presidente Dilma deve crescer em 2014

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2013 | 20h21

PORTO ALEGRE - O vice-presidente Michel Temer (PMDB) acredita que o julgamento do mensalão e a condenação dos envolvidos será tema da campanha de 2014 sem, no entanto, interferir nos resultados eleitorais. "É claro que isso vai ser explorado, é natural que seja, mas impacto não terá", afirmou, durante entrevista coletiva no escritório do deputado federal Eliseu Padilha (PMDB) em Porto Alegre, nesta quinta-feira.

"Não acredito que uma sentença judicial que condenou alguns membros de um partido vai levar a mudanças no quadro eleitoral", reiterou.Para Temer, o governo federal "seguramente" tem capital político para enfrentar os argumentos que a oposição pode preparar, sustentado tanto em suas ações e resultados quanto na postura da chefe do Executivo. "Quem não conhece a lisura da presidente Dilma (Rousseff)?", questionou.

O vice-presidente previu que a aprovação da presidente Dilma, em ascensão depois da queda de junho, quando o País foi sacudido por manifestações de rua, "vai crescer ainda mais". Apesar de dizer que o PMDB "está satisfeito" no governo, Temer adiantou que o partido deve ter candidatura própria à presidência em 2018. "Não só vejo isso, como prego", revelou, destacando que o partido já tem "poder político" representado pela vice-presidência da República, Presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, maior número de senadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores e segunda bancada federal. "Não temos tempo agora, mas estamos pregando que em 2018 vamos preparar uma candidatura".

Articulações para 2014. No dia que passou em Porto Alegre, Temer esteve com o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), o presidente da Assembleia Legislativa Pedro Westphalen (PP), a bancada estadual, prefeitos, vereadores e deputados federais do PMDB. Formalmente, disse que estava ouvindo o partido. Mas não fugiu das perguntas sobre as costuras eleitorais para 2014.

No Rio Grande do Sul, o apoio do partido à participação na aliança com a presidente Dilma Rousseff não é unânime. Em 2010, parte das bancadas federal e estadual fez campanha aberta por José Serra (PSDB) enquanto Temer concorria a vice de Dilma. Em 2014 é certo que o partido terá candidato próprio ao governo do Estado para enfrentar o PT, do governador Tarso Genro. Temer garantiu que a cúpula nacional do partido dará todo o apoio ao candidato local.

Ao mesmo tempo, o vice-presidente mostrou-se otimista quanto à possível ampliação do apoio do PMDB gaúcho à aliança nacional com o PT, ressalvada a disputa local. "A restrição vai sendo vencida aos poucos", disse, na Assembleia Legislativa. "Há um caminho a ser trilhado para obter apoio à chapa nacional", reconheceu no escritório de Padilha.

Fontes do PMDB gaúcho já admitem que o quadro de 2014 será mais favorável à aliança do que o de 2010. Admitem que a possibilidade de acordo com o PSDB tornou-se assunto secundário nas discussões internas e revelam uma certa resistência ao PSB pelas posições de Marina Silva, contestadas pelo agronegócio, um setor muito forte na economia do Rio Grande do Sul. Também reconhecem que há prefeitos simpáticos ao governo federal por causa dos programas sociais e investimentos feitos em seus municípios.

Se for confirmada em 2014, a adesão do PMDB gaúcho à aliança nacional não envolve qualquer acordo na disputa pelo Palácio Piratini, mas pode ter desdobramentos na campanha local, como a ausência da presidente Dilma Rousseff no palanque de Tarso Genro (PT), que tentará a reeleição. Padilha revelou que o presidente nacional do PT, Rui Falcão, já foi comunicado de que o PMDB quer que Dilma suba aos dois palanques ou a nenhum. Esta opção é mais provável, até porque outros dois aliados do governo federal, o PDT e o PP, podem ter candidatos próprios ao governo do Estado.

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), foi cumprimentar Temer na Assembleia Legislativa e pediu que o vice-presidente levasse a Dilma uma mensagem de "apoio incondicional" à reeleição.

Genoino.Temer evitou falar sobre a condenação dos envolvidos no Mensalão pelo Supremo Tribunal Federal(STF), argumentando que qualquer comentário (do governo) seria uma agressão a uma decisão do Judiciário e que "não se pode criar uma crise institucional por causa de uma decisão judicial".

Revelou, no entanto, que pessoas que sabem da situação de saúde do deputado federal José Genoino (PT/SP) fazem comentários condoídos, de natureza pessoal, e não processual, sobre a saúde do ex-dirigente petista.

Temer não quis abordar o caso do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado pelo STF que está na Itália, limitando-se a dizer que "certamente" o Brasil vai pedir a extradição. "O que vai haver é uma questão judicial na Itália, que vai examinar se pode ou não ser extraditado", esquivou-se. O vice-presidente também considerou "difícil" que a Itália condicione sua decisão a alguma revisão do caso de Cesare Battisti, que teve extradição negada pelo Brasil. "É um caso a essa altura superado".

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