Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Temer diz que é preciso 'dar tempo ao tempo' para PMDB chegar a acordo sobre reforma

Governo aceita entregar Saúde para PMDB na Câmara, desde que o PMDB lhe dê sustentação no Congresso para apoiar o pacote fiscal e barrar eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff

Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2015 | 16h41

Brasília - O vice-presidente Michel Temer admitiu nesta terça-feira, 22, que ainda não há acordo para a reforma ministerial. No comando do PMDB, Temer prefere que o partido não faça indicações e deixe a presidente Dilma Rousseff à vontade para compor a equipe, mas a bancada do PMDB na Câmara quer o Ministério da Saúde, controlado pelo PT.

"É preciso esperar um pouco mais. Vamos dar tempo ao tempo", disse Temer ao Estado, ao voltar de um almoço, no Palácio do Jaburu, com amigos do PMDB, entre os quais o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, o ex-ministro da Aviação Moreira Franco e o ex-deputado Geddel Vieira Lima. "Com o tempo, as bancadas se entendem", amenizou o vice.

O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), deseja que a bancada controle dois ministérios, sendo um deles a Saúde. O governo aceita entregar a Saúde, dependendo do nome indicado, desde que o PMDB lhe dê sustentação no Congresso para apoiar o pacote fiscal e barrar eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Quando Dilma foi eleita pela primeira vez, em 2010, o então governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), chegou a anunciar que Sérgio Côrtes, então secretário estadual, seria ministro da Saúde. Dois dias depois, teve de recuar e Dilma nomeou Alexandre Padilha (PT).

Reação. No ano passado, Padilha deixou o ministério para concorrer ao governo de São Paulo. A cadeira foi ocupada, então, por Arthur Chioro (PT), indicado pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho. Chioro tem o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e rumores sobre sua saída já provocaram forte reação do PT.

Em conversas reservadas, dirigentes do PT dizem que o partido não aceita entregar nem Saúde nem Educação e o recado já foi enviado ao Palácio do Planalto. Emissários do Planalto avisaram os petistas, porém, que precisam do PMDB para manter a governabilidade.

Diante das reações negativas no partido sobre a fusão dos ministérios do Turismo com Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Dilma não deve mais unir essas pastas. Com isso, tudo indica que Henrique Eduardo Alves - homem da confiança de Temer e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - continuará no Turismo.

Apesar dos apelos de Temer para que o PMDB não faça qualquer indicação, uma ala do partido no Senado quer desalojar Gilberto Kassab (PSD) do Ministério das Cidades e Gilberto Occhi (PP) de Integração Nacional, ampliando não apenas o seu espaço na Esplanada como a influência das pastas comandadas pela legenda. 

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