Temer diz que cobrar é função de aliado; é democracia

O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), afirmou à Agência Estado que o partido não vai romper nem deixar de apoiar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas continuará cobrando mudanças para acelerar o crescimento. ?Cobrar é função de qualquer aliado. Isso é democracia?, afirmou Temer, que marcou para a próxima semana um encontro com o presidente do PT, José Genoíno, para discutir a relação do PMDB com o governo e as alianças para as eleições municipais. Segundo Temer, a nota distribuída ontem pela Executiva Nacional fazendo críticas e sugestões de mudanças na economia ?mostra a preocupação nacional do PMDB com os rumos da economia?. ?Fizemos propostas concretas e não tem nada de destoante com o governo já que recebemos apoio do líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT) e do presidente do PT, José Genoino. Como parceiros precisamos fazer isso. É uma observação crítica?, completou.Ele demonstrou que o partido está também preocupado com os rumos do governo. ?Os últimos episódios tumultuaram o governo?, disse Temer, referindo-se à crise política aberta com o caso Waldomiro. Temer reagiu às declarações do senador Helio Costa (PMDB-MG) de que o documento divulgado ontem pelo partido ?expressa apenas a posição da Câmara?. ?É uma posição da Executiva Nacional que reúne deputados e senadores?, observou Temer, enfatizando que o PMDB, na verdade, teria apresentado uma agenda positiva para o governo, discordando que estaria atendendo apenas setores contrários ao governo. Atualmente, a Executiva é integrada por parlamentares que sempre se opuseram à entrada do PMDB no governo como os deputados Eliseu Padilha (PMDB-RS), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). A nota do PMDB, no entender de senadores do PMDB, mostrou o descontentamento dos deputados com a falta de liberação de verbas das emendas do Orçamento. O clima estava tão acirrado que um grupo de 50 deputados convocou ontem o líder José Borba (PMDB-PR) para uma reunião de emergência que, na linguagem de alguns presentes, foi uma verdadeira lavagem de roupa suja. Além de verbas do Orçamento cobraram espaço no governo e atenção dos ministros. Ao final, Borba se comprometeu a levar a situação ao governo e, à noite, fez um relato da conversa ao ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, durante jantar na residência do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).

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