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Temer diz que cheque de R$ 1 milhão foi doação legal ao PMDB

Defesa de Dilma em ação no TSE afirma haver divergência em versão de delator sobre repasse à chapa eleita em 2014

Carla Araújo e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2016 | 01h02

BRASÍLIA - O presidente Michel Temer negou nesta quinta-feira, 10, por meio do porta-voz Alexandre Parola, irregularidades no recebimento de um cheque de R$ 1 milhão em seu nome durante a campanha para Vice-Presidência em 2014. “Trata-se de um cheque nominal ao PMDB repassado à campanha do então vice-presidente, datado de 10 de junho de 2014. Reitera-se que não houve qualquer irregularidade na campanha do então vice-presidente Michel Temer”, disse. Após a fala do porta-voz, a assessoria do Planalto entregou aos jornalistas um papel sulfite com a cópia do documento.

O cheque foi usado pela defesa de Dilma no processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a cassação da chapa eleita em 2014, segundo revelou o jornal Folha de S.Paulo nesta quarta-feira, 9. Os advogados da petista afirmam haver divergência na versão do ex-presidente da construtora Andrade Gutierrez Otávio Azevedo em setembro deste ano. 

Na ocasião, o delator afirmou que a empreiteira doou em março daquele ano R$ 1 milhão ao diretório nacional do PT e que esse valor teria sido pago como parte de um acerto de propina de 1% dos contratos da Andrade com o governo federal. A quantia, na versão de Otávio, teria sido repassada do diretório petista para a campanha da chapa Dilma-Temer em 14 de julho.

O cheque e os registros da prestação de contas, contudo, mostram repasse no mesmo valor feito em julho para o diretório nacional do PMDB, em nome de Temer e que, posteriormente, fez o repasse para a campanha. Para a defesa de Dilma, o delator prestou falso testemunho.

OAB. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, defendeu nesta quinta-feira, em nota, esclarecimentos a respeito do repasse de R$ 1 milhão da Andrade Gutierrez para a conta da campanha de Temer nas eleições de 2014. “A sociedade precisa saber se esses recursos são legítimos ou fruto de propina. Outro ponto que precisa ser esclarecido é sobre qual conta foi usada para receber o dinheiro”, disse Lamachia. “Se necessário, a OAB usará de suas prerrogativas constitucionais para fazer valer os interesses da cidadania”, conclui a nota.

Acareação. Relator do processo que pode levar à cassação da chapa no TSE, o ministro Herman Benjamin cancelou a acareação entre Azevedo e o ex-tesoureiro da campanha petista Edinho Silva, que estava marcada para ocorrer na próxima semana, na quinta-feira, 17. O ministro, no entanto, decidiu ouvir novamente apenas o ex-presidente da empreiteira. 

O pedido de acareação foi formulado pelos advogados que representam o PSDB, autores da ação no TSE. “A divergência constatada (…) exsurgiu da apresentação de documentação eleitoral pelos patronos da representada Dilma, por ocasião da audiência realizada no dia 07/11/2016. Neste sentido, a mera reinquirição do Sr. Otávio configura medida eficaz para a elucidação da divergência, sem prejuízo de que, caso necessário, sejam determinados atos complementares”, diz o despacho do ministro.

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