Temer diz que 'ainda' não pensa em aumentar impostos

'Estou segurando isso', disse; presidente em exercício ainda falou que não age como se fosse deixar o governo em breve

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2016 | 07h48

O presidente em exercício Michel Temer afirmou que não pensa em aumentar imposto "ainda", ao mencionar possíveis futuras medidas de seu governo. "Estou segurando isso, não estou falando em aumento de imposto ainda", disse Temer em entrevista ao jornalista Roberto D'Avila, da Globonews.

Temer defendeu o aumento do funcionalismo aprovado pela Câmara. "Os servidores públicos estavam sem aumento real há bastante tempo, esses acordos tinham sido fechados no governo da senhora presidente. O acordo é útil para o governo", afirmou.

O presidente afirmou ainda que o corte de gastos tem objeto de "incentivar a economia. "Queremos produzir emprego", declarou.

Interinidade. Temer reconheceu que a interinidade cria "instabilidade", mas ressalvou que não age como se fosse deixar o governo em breve. "Governar interinamente é mais complicado por gerar uma certa instabilidade. Não me comporto como interino, mas como definitivo. Não se governa em interesse de A ou B", declarou na entrevista.

Temer voltou a dizer que não traiu a presidente afastada Dilma Roussseff. "Eu não traí ninguém. O que houve foi um processo de impedimento", defendeu-se. Ao comentar o governo Dilma, Temer disse que "houve certa falta de diálogo com o Congresso". O presidente avaliou que os problemas na economia foram decisivos para o desgaste da petista. "A questão econômica prejudicou o governo e a governabilidade", avaliou.

Temer não demonstrou arrependimento por ter feito um ministério sem mulheres e afrodescendentes. "Exercitaria novamente mesma fórmula, eu tive setes dias para organizar o governo. Só quando me dei conta que do que significava a admissibilidade (do processo de impeachment) no Senado é que comecei a conversar sobre o governo. Antes, tinha pruridos. O desemprego é o problema principal do Brasil. Montamos uma equipe econômica e fizemos uma composição política para ter apoio no Congresso".

Temer disse que manterá a secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes. A secretária é investigada na Justiça Federal por suspeita de ter participado de desvio de R$ 4 milhões do Ministério do Turismo para capacitação de profissionais do Amapá, quando era deputada pelo PMDB do Estado. "Vou mantê-la até que eventualmente haja condenação", disse.

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