Andre Dusek/Estadão
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Temer rebate PT e diz que tem aval de Dilma

Vice-presidente reage com ironia à investida de Mercadante, que defendeu a nomeação de um titular para a articulação política; Wagner endossou a tese

Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 18h01

Atualizado às 23h20

Brasília -Após a pressão do PT para a nomeação de um titular para a Secretaria de Relações Institucionais, o vice-presidente Michel Temer usou de ironia ontem para descartar a ideia.

Temer afirmou que não vê “razão” para essa discussão, considera que está exercitando a articulação política do governo com “muita tranquilidade”. Ele lembrou que assumiu a função por delegação da própria presidente Dilma Rousseff.

O vice-presidente reagiu ao ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que tem defendido a nomeação de um ministro para a SRI que se dedique integralmente à articulação com o Congresso no momento de liberação de emendas parlamentares.

A tese de Mercadante foi endossada nesta quinta-feira, 11, pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner. Para Wagner, é preciso ter alguém “para fazer a operação do dia a dia” e o contato com parlamentares. Segundo ele, o ministro “pode ser do PMDB ou do PT”.

A proposta, no entanto, desagradou aos peemedebistas que enxergam na iniciativa lançada pelo chefe da Casa Civil uma tentativa de restabelecer uma disputa de poder, com a retomada da pasta pelo PT.

A polêmica surge em momento crucial para a chamada virada de página do ajuste fiscal, com a tentativa do Planalto de aprovar na Câmara o projeto de lei da desoneração. Além disso, o governo terá de se mobilizar em breve para a prorrogar a desvinculação das receitas da União (DRU), importante fonte de receita para o Executivo, que exige quórum qualificado de 3/5 do Congresso. 

Auxiliares. Além de destacar que assumiu o comando da articulação política por delegação de Dilma, Temer considera que todas as suas iniciativas até agora foram vitoriosas. O vice respondeu aos petistas ao afirmar que “a estrutura da SRI está sendo usada exatamente para atender às demandas do Congresso”.

Disse que é auxiliado no trabalho pelo próprio Mercadante e pelo também ministro petista Ricardo Berzoini (Comunicações), além dos peemedebistas Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Henrique Alves (Turismo).

Temer foi irônico ao afirmar que as investidas petistas não o incomodavam “nem minimamente” e ao negar que fossem uma tentativa de esvaziar seu poder. “Eu tenho um poder modesto. Não há o que esvaziar.”

Mais cedo, Temer e Wagner se encontraram nas comemorações dos 150 anos da Batalha Naval do Riachuelo, em clima de total cordialidade.

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