VANESSA CARVALHO/BRAZIL PHOTO PRESS
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Temer diz haver 'crisezinha' política, mas descarta abalo institucional

Vice-presidente ressalta que decisão so presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de romper com Dilma é de natureza pessoal; segundo ele, PMDB não se afastará do governo

Altamiro Silva Junior, correspondente em Nova York, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2015 | 11h41

Atualizado as 23h51

NOVA YORK - O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta segunda-feira, 20, que existe uma “crisezinha” política no País por causa da decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de se tornar oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff. “Na verdade, até uma crisezinha política existe, por causa da posição do presidente Eduardo Cunha. Mas institucional é que não existe. Quando eu falei (em palestra) da crise institucional, eu diferenciei da crise política para revelar que o País vive de qualquer maneira uma tranquilidade institucional, apesar de todos esses embaraços. Esses acidentes ou incidentes que ocorrem de vez em quando não devem abalar a crença no País”, disse Temer, após fazer uma palestra para investidores e acadêmicos em Nova York.

O vice-presidente declarou que vai continuar a manter o diálogo com o Congresso Nacional, “que tem sido sensível às nossas afirmações, às nossas postulações”. “Devemos superar essa breve crise política que estamos tendo no momento.”

‘Embaraços’. Questionando sobre a posição que tem sido defendida em Brasília por alguns políticos, como o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), sobre o afastamento de Cunha da presidência da Câmara enquanto é investigado pela Operação Lava Jato, Temer disse que é uma questão a ser resolvida pela Casa. “É uma decisão do Congresso Nacional. Quanto menos tivermos embaraços institucionais é melhor para o País.”

 

Temer, que também é presidente nacional do PMDB, ainda foi questionado sobre a posição de seu colega de partido e presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), que declarou no final de semana que o ajuste fiscal que vem sendo conduzido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é “cachorro correndo atrás do rabo” e “enxugar gelo até ele derreter”. “Acho que o Renan quis dizer que o ajuste fiscal ainda não é suficiente. Estamos todos de acordo. Temos que trabalhar mais para arrecadar mais.” 

O vice-presidente declarou que o combate à corrupção no Brasil está sendo feito “às claras”. “O que importa não é a existência da corrupção, o que importa é o combate à corrupção, que está sendo feito às claras, nada subterrâneo”, afirmou ele, destacando que organismos, como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário trabalham e funcionam com “toda tranquilidade e independência”. “Estamos passando por um momento de depuração.”

Temer também minimizou a piora da situação da atividade econômica no País durante sua apresentação. “Crise econômica eu diria que também não temos. O que há é uma necessidade de reacomodação da economia.” O vice-presidente ressaltou que até há pouco tempo o País era devedor do Fundo Monetário Internacional (FMI) e, além de ter saldado as dívidas, tem reservas internacionais na casa dos US$ 370 bilhões.

Leilão. Temer chegou em Nova York na noite de sábado e fez ontem uma apresentação de uma hora para investidores e acadêmicos norte-americanos. Na exposição, ele convidou os norte-americanos a investirem no País, principalmente nos projetos de infraestrutura que vão entrar em leilão em portos, aeroporto, estradas e ferrovias. “O Brasil tem segurança institucional, cumpre contratos”, ressaltou. “Estamos em um clima de estabilidade institucional. Contamos com empresários norte-americanos para investir em infraestrutura no Brasil.” Hoje, o vice-presidente volta a fazer uma apresentação em Nova York e, em seguida, tem encontros reservados com investidores dos Estados Unidos.

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