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Andrei Netto;Estadão
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Temer diz em Moscou se sentir uma 'extensão do poder Legislativo' no Executivo

Vice-presidente elogia 'disciplina e organização do sistema' da Rússia, país com denúncias de corrupção e pouca transparência, e faz comparação com a administração pública brasileira

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2015 | 10h14

MOSCOU - O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta terça-feira, 15, em Moscou que, embora ocupe um cargo no Executivo, se sente "quase como uma extensão do poder Legislativo". A declaração foi feita durante visita oficial ao Conselho da Federação Russa, a câmara alta – espécie de Senado do país.

Temer foi recebido pela presidente do conselho, Valentina Matvienko, com quem teve uma reunião acompanhada de ministros e autoridades dos dois países. Em meio ao seu pronunciamento, o vice-presidente afirmou: "Passei 24 anos no parlamento brasileiro, presidi três vezes a Câmara dos Deputados e, embora esteja no Executivo, me sinto quase como uma extensão do poder Legislativo".

Temer está em visita oficial à Rússia, acompanhado de seis ministros – todos do PMDB, partido da base aliada com o qual a presidente Dilma Rousseff tem tido relações difíceis na Câmara dos Deputados. Na segunda-feira, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse considerar pouco provável a aprovação do pacote do governo, que prevê cortes orçamentários de R$ 26 bilhões, mas depende de recriação e aumento de tributos que somam cerca de R$ 40 bilhões e precisam de aval do Legislativo.

Em um sinal de que Dilma tenta manter a relação com Temer em bons termos, antes que os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, anunciassem em Brasília os cortes no orçamento público e o aumento de impostos, a presidente ligou para Moscou para informar seu vice-presidente sobre as medidas. A revelação foi feita pelo ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, nesta terça-feira, 15, na capital da Rússia.

O telefonema aconteceu pouco antes das 16h, horário de Brasília, 22 horas em Moscou. Dilma informou Temer sobre a amplitude dos cortes e do aumento de impostos, medidas destinadas a preencher o rombo e chegar ao superávit de 0,7% do PIB em 2016. O vice-presidente se mostrou avesso ao retorno da CPMF na semana passada, mas de acordo com Henrique Eduardo Alves o desentendimento sobre o assunto foi superado.

"Ele (Temer) concordou com a argumentação que ela (Dilma) fez, com as motivações que ela apresentou.  Ao chegar ao Brasil ele vai trabalhar para ajudar nessa relação com o poder Legislativo", garantiu Henrique Eduardo Alves. "A democracia é boa por essas coisas, pelo debate."

Além de Dilma Rousseff, outro a telefonar ontem a Moscou foi o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Ele ligou ontem. Perguntou como estava o acompanhamento das emendas que estamos liberando, perguntou se estava tudo bem, se estava se processando normalmente", contou o ministro. Questionado se o telefonema revela um maior cuidado na relação com os líderes do PMDB no governo, Henrique Eduardo Alves afirmou: "É uma prova, né? Não só com os ministros do PMDB, mas com o governo como um todo. Era o compromisso de mais diálogo e mais cuidado. Afinal, emendas são um direito do parlamentar. O parlamentar tem direito".

Questionado sobre o Congresso Nacional apoiará o pacote de cortes e o aumento de impostos, além da recriação da CPMF, o ministro demonstrou confiança. "Acho que tem chances se for bem debatido, bem explicada, bem fundamentada. Era o que se reclamava: que o governo fizesse propostas concretas, objetivas e realistas. O governo fez. Agora cabe ao legislativo, com absoluta liberdade e independência, fazer o debate.

Mas, sobre o eventual apoio do PMDB, a insegurança é maior. "Espero que a discussão seja muito democrática e muito intensa. Vai para o debate, vai para a discussão. A hora é de convencimento, de discussão", afirmou.

Elogio. O vice-presidente da República, Michel Temer, disse, ainda, que a administração brasileira se inspira no exemplo do sistema russo.

A declaração foi feita à presidente do Conselho da Federação Russa, a câmara alta – espécie de Senado do país –, Valentina Matvienko. Temer relembrou a organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, quando convidou a parlamentar a comparecer. A seguir, fez elogios ao "sistema russo" – que na própria Rússia é muito acusado de corrupção, de clientelismo e de oligarquismo. 

"Teremos as Olimpíadas de 2016 e a convido para comparecer ao Rio de Janeiro", disse o vice-presidente. "Estamos nos organizando muito, assim como nos organizamos para  a Copa do Mundo de futebol. Ganhamos o mundo na copa, em função da organização que pudemos apresentar."

Então Temer teceu os elogios ao "sistema" russo. "Esse exemplo de organização e disciplina, que tem pautado a administração pública no Brasil, se inspira em boa parte da disciplina e organização do sistema russo", disse o vice-presidente.

Temer se encontra na tarde desta terça com líderes empresariais da Rússia e do Brasil e amanhã terá uma reunião bilateral com o primeiro-ministro e ex-presidente russo Dmitri Medvedev.


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