André Dusek|Estadão
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Temer diz a Lula que PMDB deixará a gestão e vai atuar para afastar Dilma

Vice-presidente, em acordo com Renan Calheiros, definiu que reunião da Executiva decidirá por aclamação pelo rompimento do partido com o governo

ADRIANO CEOLIN, ERICH DECAT, RICARDO BRITO, VERA ROSA e RICARDO GALHARDO, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2016 | 03h00

Brasília - O Diretório Nacional do PMDB oficializa nesta terça-feira,29, seu rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff. A decisão será tomada por aclamação – sem necessidade de votação – após um acordo entre o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os seis ministros deverão ter um prazo até o dia 12 de abril para deixar seus cargos. Henrique Alves, do Turismo, pediu exoneração na segunda-feira, 28, mesmo. Com a decisão, o impeachment ganha ainda mais força.

Junto com Dilma, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esforçou-se ao máximo para tentar um adiamento da decisão. No domingo, 27, Lula encontrou-se com Temer em São Paulo. Na conversa, o vice disse que não havia como conter o rompimento, principalmente depois que Dilma nomeou o deputado Mauro Lopes (MG) para a Secretaria de Aviação Civil, passando por cima da moção aprovada em convenção nacional que proibiu o ingresso de filiados ao partido no governo.

“Eu avisei o senhor que esse episódio ia cair muito mal”, afirmou Temer ao petista. O peemedebista também disse que, antes da decisão de Dilma de enfrentar o PMDB, tinha feito um acordo para que a reunião do diretório da sigla ocorresse somente em 12 de abril. “Mas tudo mudou depois disso e o ambiente agora é completamente contrário ao governo. Não tem jeito. O PMDB vai sair do governo”, afirmou Temer.

Segundo apurou o Estado, Temer também deixou claro a Lula que o PMDB vai trabalhar pelo impeachment da presidente da República. Os dois teriam até iniciado negociações sobre o pós-Dilma, com o vice-presidente se comprometendo a não realizar uma “caça às bruxas” no governo.

Lula ponderou que ainda conversaria com alguns políticos do PMDB, na tentativa de obter votos contra o impeachment de Dilma. Temer disse que era direito dele fazer isso, mas observou que a situação só havia chegado a esse ponto por culpa da própria Dilma. “Ela não ouve e ninguém é consultado para nada. Não há mais capacidade de aglutinação nesse governo”, argumentou Temer.

Na manhã desta segunda-feira, Dilma fez um apelo aos ministros do PMDB para que, pelo menos, não marcassem presença na reunião do diretório do partido. No encontro, segundo os presentes, ela demonstrou “abatimento e conformismo”. 

Michel Temer não deve comparecer à reunião desta terça-feira do PMDB. Contudo, não está descartada a presença dele após a divulgação do resultado final da convenção. Aliados do vice querem transformar a reunião em um ato político em favor da sua chegada ao comando do País.

Morte. Os oposicionistas do PMDB apostam que o desembarque do partido é o “começo da morte do governo”. “Não tiveram a capacidade de manter a coalizão com as direções partidárias. Duvido que mantenham no varejo”, disse o deputado federal Lúcio Vieira Lima (BA).

A proposta de se tomar uma decisão por aclamação partiu dos senadores do PMDB, que historicamente são mais afinados com o governo. Ainda no domingo, o líder da bancada do Senado, Eunício Oliveira (CE), pediu a Temer que evitasse uma votação no diretório, que tornaria o racha do partido evidente. À tarde, foi a vez de Renan Calheiros fazer a mesma ponderação a Temer. Fechado o acordo, Henrique Alves divulgou sua saída do Ministério do Turismo.

Eunício participou da conversa entre Temer e Renan. Segundo ele, com a decisão pelo rompimento, os cargos vão ficar à disposição de Dilma. Portanto, não poderão ser mais considerados da cota do partido. Apesar da resistência a deixar cargos, o PMDB do Senado concluiu que não tem como barrar o impeachment se a Câmara aprová-lo.

Supremacia. A consolidação da tese em favor do rompimento deu-se a partir da quinta-feira, quando o diretório do PMDB do Rio de Janeiro aprovou o desembarque. A seção fluminense é a que detém o maior número de integrante no diretório nacional (12). Como o Estado informou, a decisão “contaminou” outros diretórios estaduais. Na segunda-feira, a seção de Minas, a segunda maior do partido com, 10 votos, também oficializou o desembarque do governo por unanimidade. 

Para evitar constrangimentos, os integrantes da ala governista deverão faltar à reunião do diretório nacional. O presidente do Senado, por exemplo, decidiu que não deve comparecer. O encontro será presidido pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), que tem trânsito entre as duas alas do partido.

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