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Temer disse a ministro que pretende mantê-lo no cargo

Presidente em exercício conversou por telefone com Fabiano Silveira; avaliação é que desgaste com a segunda queda seguida de um membro do alto escalão do governo poderia ser mais danosa do que benéfica

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2016 | 17h56

BRASÍLIA - O presidente em exercício, Michel Temer, conversou na tarde desta segunda-feira, 30, com o ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Fabiano Silveira, por telefone, para dizer que pretende mantê-lo no cargo. De acordo com interlocutores do presidente, a avaliação no momento é que os áudios de Silveira com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, “não são comprometedores”.

Mais cedo, após reunião com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, Temer decidiu manter o ministro no cargo “por enquanto”. Segundo fontes, o presidente em exercício disse que é essa a orientação “até segunda ordem”.

De acordo com interlocutores, a avaliação é que o desgaste com a segunda queda seguida de um membro do alto escalão de Temer poderia ser mais danosa do que benéfica. Além disso, há a interpretação de que as manifestações contrárias ao nome do ministro “são políticas”.  

Silveira teve áudios de conversas com ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado divulgados no domingo, 29, pelo Fantástico, da TV Globo. Nas conversas, gravadas há cerca de três meses, quando Silveira ainda era do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ele aconselha Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre como deveriam agir em relação às investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Atualmente, Silveira comanda pasta estratégica para medidas de combate à corrupção no País.

Nesse domingo, Silveira procurou o presidente no Palácio do Jaburu para se explicar e teria saído de lá convencido de que Temer lhe daria mais um voto de confiança.

Esta é a segunda semana que o governo Temer começa tendo que resolver problemas relacionados ao alto escalão. Na última segunda-feira, 23, o então ministro do Planejamento, Romero Jucá, deixou o cargo após a divulgação de áudios de conversas com Machado, em que o peemedebista  fala em "estancar a sangria" na Lava Jato. Jucá ficou apenas 12 dias no cargo e pediu licença do Planejamento para esclarecer os fatos. No Palácio do Planalto, o clima é de cautela. "O assunto dominante é esse, vamos de novo começar a semana no improviso", disse outro assessor palaciano. 

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