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Temer discute com marqueteiro em SP pronunciamento de 7 de setembro

Caso seja efetivado no cargo, o presidente em exercício usará a data para projetar as ações futuras do governo, durante o discurso em cadeia nacional de Rádio e TV; a 'herança petista' será citada, mas timidamente, já que o foco é demonstrar 'otimismo'

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

19 de agosto de 2016 | 18h19

BRASÍLIA - Os temas e o formato do primeiro pronunciamento que o presidente em exercício, Michel Temer, estuda fazer, caso seja efetivado após a conclusão do impeachment de Dilma Rousseff, foram conversados durante reunião, nesta sexta-feira, 19, com o marqueteiro do PMDB, Elsinho Mouco, e o cientista político e amigo de Temer Gaudêncio Torquato, em São Paulo.

Em cadeia nacional de Rádio e TV, Temer usará o pronunciamento do Dia Sete de Setembro para projetar as ações do governo. Apesar de citar a "herança" com dificuldades econômicas que recebeu do governo da petista, a ideia é que a mensagem foque mais no futuro do que eno passado. "Não será um balanço e sim uma mensagem de otimismo e esperança", disse Torquato ao Broadcast Político.

Mouco afirmou que a mensagem vai conter também um pouco dos feitos do governo interino nos 100 dias "sem Dilma". "É a primeira vez que ele vai falar com todos os brasileiros, ele vai destacar o aumento de 12,5% no Bolsa Família, mostrar que o governo continua entregando casas no Minha Casa Minha Vida", disse.

Assuntos econômicos e a defesa de reformas estruturais estarão no foco principal da fala de Temer. A ideia é tentar explicar para a população temas considerados fundamentais como a reforma da Previdência e a trabalhista. Já como presidente, ele espera ainda reforçar que trabalha para a retomada da criação de empregos.

Temer vai também lembrar dos Jogos Olímpicos no Brasil para passar a imagem de que o País "pode dar certo". "Ele vai mostrar que temos a capacidade de fazer bem feito, a Olimpíada resgatou a autoestima dos brasileiros", afirmou Mouco.

Estilo. Segundo Torquato, que é amigo há mais de 30 anos de Temer e uma espécie de consultor do peemedebista, apesar de existir a intenção de "apresentar" o presidente à população, não haverá nenhuma guinada no "estilo" de sua retórica. "Claro que ele vai ter uma linguagem mais compreensível, mas ele vai manter o seu estilo, é um constitucionalista, advogado. Não vai fazer populismo", afirmou.

O marqueteiro do PMDB diz que Temer "será exatamente como ele é". "Diferente do Lula, que era um cara de camiseta e gibi na mão, ele vai se apresentar com terno e gravata e a Constituição na mão", disse ao Broadcast Político.

A gravação da mensagem ainda será agendada e deve acontecer apenas após o encerramento do impeachment. O formato, entretanto, tem que ser finalizado antes disso, já que Temer terá pouco tempo para gravar o pronunciamento antes de ir para a China, onde participará da reunião do G-20. Existe ainda a possibilidade de que Temer faça alguma fala antes do pronunciamento em cadeia nacional. Alguns interlocutores defendem que ele se manifeste de alguma forma logo após a decisão do impeachment por entenderem que é preciso falar com a população como presidente o quanto antes.

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