Temer deixa a presidência do PMDB

O presidente da Câmara, Michel Temer (SP), transmitiu a presidência do PMDB, cargo que ocupa desde 2001, à deputada Íris de Araújo (GO), vice-presidente do partido, em um gesto voltado mais para o público externo do que interno. Licenciado pelo tempo que julgar devido, Temer vai continuar ativo no comando da legenda. A eleição para o cargo só se dará em março de 2010."É claro que terei presença na condução política partidária e nas articulações políticas", afirmou Temer, logo após passar o cargo à deputada Íris, em uma cerimônia em que faltaram senadores e os líderes do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e no Senado, Renan Calheiros (AL). "Não houve uma preparação especial. Nós acertamos que seria modesta. Surpreendeu-me o grande número de presentes", disse Temer.O fato de Temer acumular a presidência da Câmara com a do PMDB significava potencial desgaste político. Em meados de fevereiro, quando o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), em entrevista à revista Veja, atacou o PMDB, afirmando que o partido "gosta mesmo é de corrupção", deputados ficaram incomodados com a necessidade de o presidente da Câmara ter a missão de dar explicações sobre suposta corrupção em seu partido.Sem citar o nome de Jarbas, Temer pregou a defesa do PMDB no discurso de transmissão do cargo. "Muitas vezes somos achincalhados indevidamente. Se há um ou outro equívoco, ele deve ser apontado. A generalização é incompatível com as questões responsáveis. Temos de apontar o equívoco e o autor do equívoco", disse. "Temos de entrar nessa batalha incansável pela defesa do PMDB."Na primeira entrevista após assumir o cargo, Íris de Araújo defendeu o partido. "O PMDB não é corrupto, as instituições não são corruptas, o parlamento não é corrupto, a Justiça não é corrupta", disse. "Se existem elementos corruptos, eles precisam ser nomeados."

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