André Dusek|Estadão
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Temer defende privatização em entrevista a revista e diz que Lava Jato não afetará seu governo

O presidente em exercício afirmou que a Petrobrás está blindada desse processo, mas sobre os Correios, Temer disse não parecer 'tão complicado'

O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2016 | 12h14

SÃO PAULO - O presidente em exercício, Michel Temer, disse que privatizará tudo, "na medida do possível", mas garantiu que a Petrobrás, por exemplo, está blindada desse processo, por estar ligada "à ideia de nacionalidade, patriotismo". O mesmo não se pode dizer dos Correios, que Temer afirmou não parecer "tão complicado". As declarações foram dadas em entrevista à revista Veja em edição que chega às bancas neste sábado.

Ele afirmou, por exemplo, que pode abrir novas frentes na área de concessões e que vai incrementar as áreas de portos e aeroportos. Também disse que, caso venha a se tornar presidente definitivo, quer buscar investimentos para o País e citou como alvos Estados Unidos, Emirados Árabes e Japão. Temer avaliou, por sinal, que um dos aspectos negativos de sua interinidade é o fato de o estrangeiro estar "esperando para ver o que vai acontecer em agosto, na votação do impeachment".

O presidente em exercício também enumerou as ações já adotadas pelo seu governo, destacando o acordo com os Estados e a aprovação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Disse que já discute a reforma da Previdência com centrais sindicais.

No campo político, Temer voltou a dizer que não será candidato à reeleição em 2018, afirmou não se preocupar com o elevado índice de rejeição mostrado por pesquisas recentes e classificou o episódio sobre as gravações envolvendo o senador Romero Jucá, até então ministro do Planejamento de seu governo, como "acidente". Ele destacou o fato de três ministros do seu governo terem pedido para sair após serem citados em investigações, "diferentemente do que se via antes".

Segundo Temer, a chance de a Lava Jato afetar seu governo é "zero" e, quando foi presidente do PMDB, "cuidava das doações oficiais". "Nunca soube que alguém pudesse dar verbas fora da doação oficial", frisou na entrevista. Em outro trecho, disse que o escândalo na Petrobras "não é do partido, é de pessoas, pode acontecer".

Sobre a conversa que teve com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na semana passada, quando recebeu o presidente afastado da Câmara, afirmou que falaram sobre o cenário político e sobre a posição de Cunha. Temer disse não dar "palpite", mas que quando Cunha afirmou que muitos propõem que ele renuncie à presidência da Câmara, recomendou que ele "deveria meditar a esse respeito".

Por fim, ao ser questionado sobre o risco de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impugnar a chapaDilma-Temer, o presidente em exercício voltou a desvincular as duas campanhas, disse que a "ação perde objeto" com a decisão do impeachment e que "resta saber se ela segue contra o vice-presidente".

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